Cardeal cubano pede canonização de Oscar Romero

Ex-arcebispo foi assassinado por um franco-atirador enquanto celebrava missa em El Salvador

José Maria Mayrink - O Estado de S.Paulo,

13 de agosto de 2013 | 21h23

O cardeal de Havana, Jaime Ortega y Alamino, pediu a canonização de d. Oscar Romero, ex-arcebispo de San Salvador, assassinado por um franco-atirador, no dia 24 de março de 1980, enquanto celebrava missa no Hospital da Providência, na capital de El Salvador.

Defensor dos direitos humanos e das vítimas da violência na luta de guerrilhas de movimentos de esquerda contra forças da ditadura, Oscar Romero publicava semanalmente uma listas de desaparecidos e apoiava suas famílias. Seu corpo está sepultado na catedral da cidade e o papa João Paulo II rezou junto de seu túmulo em 1983, quando visitou seis países da América Central e do Caribe.

O pedido do cardeal Ortega, feito durante a missa de encerramento do 5º Congresso Eucarístico Nacional de El Salvador, no domingo, tem especial significado porque ele presidia a cerimônia como legado do papa Francisco."Pedimos ao Senhor a honra dos altares para Dom Romero", rezou o cardeal de Havana, pedindo, em seguida que "a Eucaristia celebrada a cada dia e aquela Eucaristia que Dom Romero não pôde terminar tragam para este querido país, que tem o nome do Salvador do Mundo, um grande anseio de reconciliação, o rechaço total à violência e sementes de paz aos corações e na sociedade".

O núncio apostólico, Léon Kalenga Badikebele, o cardeal-arcebispo de Tegucigalpa, Oscar Rodriguez Maradiaga, bispos, padres e seminaristas salvadorenhos e da região participaram da cerimônia. Milhares de peregrinos aplaudiram o apelo do cardeal cubano.

Oscar Romero, cujo processo de beatificação e canonização, foi retomado por ordem do papa Francisco na Congregaçã para as Causas dos Santos, no Vaticano, onde parecia estar estagnado, já vem, sendo venerado como santo na América Latina desde sua morte. O fato de o arcebispo haver defendido militantes de esquerda lançou sobre ele suspeita de ter feito uma opção ideológica que vinha dificultando o andamento da causa, que agora deverá ser acelerada. Como o arcebispo morreu assassinado e é considerado mártir, não será necessário um milagre, feito por sua intercessão, para ser declarado santo.

"Em El Salvador, todos temos medo de morrer", afirmou Oscar Romero, três dias antes de levar um tiro no altar, quando perguntei a ele se não temia sofrer um atentado por causa das denúncias contra a violências e de defesa das vítimas. O Estado foi o último jornal a entrevistar o arcebispo.

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