Cardeal de Hong Kong diz que nomeação afasta China do Vaticano

O cardeal de Hong Kong, Joseph Zen Ze-kiun, um dos principais membros da cúria católica na China, disse que a nomeação de dois bispos sem o consentimento do Papa representa um passo atrás na tentativa de aproximação entre Pequim e a Santa Sé.Zen declarou no domingo à noite que as nomeações da Igreja Patriótica são um passo atrás nas negociações iniciadas entre os dois governos após a morte de João Paulo II, informou nesta segunda-feira o jornal The Standard.O cardeal manifestou sua confiança em que a Igreja Patriótica, submetida ao Partido Comunista chinês, abandone a prática de nomear bispos sem a permissão do Papa. "Esperamos que não volte a acontecer", acrescentou.Durante a última semana, a Igreja Católica Patriótica Chinesa, oficial no país, nomeou três novos bispos, entre os quais apenas um conta com o apoio da Santa Sé.Trata-se de Paul Pei Junming, de 37 anos, que foi educado nos EUA, nomeado bispo auxiliar de Shenyang e ordenado diante de cinco mil pessoas.No início de maio, a Igreja Patriótica nomeou Ma Yinglin e José Liu Xinhong como bispos de Kunming e Wuhu, o que levou Bento XVI a excomungá-los.Zen é considerado um dos principais representantes da luta em favor dos direitos humanos na China. Nomeado cardeal em fevereiro, ele dirige a diocese de Hong Kong como bispo há quatro anos.Antes mesmo da morte de João Paulo II, Zen já assessorava pessoalmente o então cardeal Joseph Ratzinger na tentativa de restaurar os laços diplomáticos entre a China e a Santa Sé, rompidos em 1951.No início dos anos 50, o governo comunista de Mao Tsé-tung expulsou o Núncio Apostólico em Pequim, o que levou o Papa Pio XII a transferir sua representação diplomática para Taiwan.De acordo com a China, está é a principal questão para restaurar os laços diplomáticos.Pequim exige que o Vaticano, antes de qualquer tipo de acordo, aceite o princípio de "uma única China" e que "se abstenha de interferir nos assuntos nacionais da China tendo a religião como desculpa".Cerca de 12 milhões de católicos vivem na China, onde muitos deles têm que praticar suas crenças clandestinamente para se manterem fiéis ao Papa.

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