Cardeal pede cristianismo na Constituição européia

A omissão de qualquer menção à tradição cristã da Europa no rascunho de uma proposta de Constituição para a União Européia (UE) constitui uma "ofensa" para os milhões de cristãos do Velho Continente, denunciou um proeminente cardeal pela Rádio Vaticano. Os redatores "não tiveram a coragem" de reconhecer "a enorme influência que a cultura cristã exerceu sobre a cultura européia", manifestou o cardeal Roberto Tucci.Dias atrás, o ministro de Relações Exteriores do Vaticano, Jean Louis Tauran, disse ao jornal Corriere della Sera que a Santa Sé havia desejado a inclusão de uma referência específica ao cristianismo como um dos valores fundadores da comunidade européia no preâmbulo da Constituição. Agora, o Vaticano está decidindo quais serão seus próximos passos para obter uma eventual retificação do texto constitucional. O comitê de redação, dirigido pelo ex-presidente francês Valéry Giscard D´Estaing, empregou os termos "espiritual" e "religioso" para descrever a tradição européia no preâmbulo da Carta divulgada na quarta-feira. O comitê ignorou as exortações do papa João Paulo II e outros representantes do Vaticano que defenderam, durante meses, a inclusão do reconhecimento da tradição cristã européia. O cardeal qualificou a omissão como "uma ofensa à razão, ao bom senso e a boa parte dos cidadãos da UE".

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