Cardeal que acobertou casos de pedofilia pode ser promovido

O cardeal arcebispo de Boston, Bernard Law, acusado de "acobertar" casos de pedofilia em sua diocese, poderá ser promovido em junho a um posto no Vaticano, conforme informou hoje o jornal Boston Herald, citando fontes da Igreja Católica. "Haverá uma promoção, no mais tardar, em junho", disse a fonte, que não teve o nome revelado. A direção do Vaticano "está a procura de um posto. Não querem vê-lo na berlinda", declarou outro membro da Santa Sé. Ele explicou que o papa João Paulo II, que convocou esta semana os cardiais norte-americanos para uma conversa em Roma, "o quer de verdade". A porta-voz do cardeal Law, Donna Morrissey, negou-se a comentar as informações do Boston Herald. "Não tenho nada a declarar", disse, assegurando que o acerbispo não daria nenhuma informação sobre o assunto. O cardeal é acusado de esconder os escândalos e contentar-se em trocar de paróquia em paróquia, os padres implicados em casos de abusos sexuais contra crianças, como o ex-cúria John Geoghan, condenado em fevereiro a 10 anos de prisão por agressão sexual. Law enfrenta grande pressão em Boston; parte da comunidade eclesiástica da cidade exige a sua renúncia. Interrogado durante a partida em Roma, o arcebispo assegurou que durante a reunião no Vaticano, isso foi sequer mencionado. A nomeação de Bernard Law para o Vaticano seria uma tentativa da Santa Sé de evitar a humilhação pública de uma renúncia, acelerando a pressão sobre os bispos norte-americanos, que devem definir uma linha de conduta nacional sobre a pedofilia, durante reunião prevista para junho, em Dallas. Os católicos norte-americanos estão decepcionados com os responsáveis da Igreja de seu país, porque, durante o encontro no Vaticano sobre a pedofilia, não anunciaram medidas drásticas que se esperava. "É muito decepcionante", afirmou David Clohessy, diretor da Associação Sobreviventes de Pessoas Agredidas por Sacerdotes, de Chicago. "O papa disse claramente que não haveria lugar na Igreja para que abusou de crianças. Os bispos disseram: ´talvez sim´ ." Para o presidente da Liga de Ação Católica de Massachusetts, C.J. Doyle, a conferência deveria adotar de imediato uma política de tolerância zero. "Desperdiçaram a oportunidade."

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