AFP PHOTO / YAMIL LAGE
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Cardeal que participou da reaproximação entre EUA e Cuba deixa cargo

Segundo comunicado do Vaticano, papa Francisco aceitou a aposentadoria de Jaime Ortega, que ocorre pouco antes de ele completar 80 anos

O Estado de S. Paulo

27 Abril 2016 | 10h16

HAVANA - O cardeal cubano Jaime Ortega, autoridade da Igreja Católica em Havana e uma das principais figuras responsáveis pela aproximação entre Cuba e EUA, vai deixar o cargo, informou o Vaticano na terça-feira.

Segundo o comunicado, o papa Francisco aceitou a aposentadoria de Ortega, que acontece pouco antes do cardeal completar 80 anos. O cardeal cubano foi visto como um figura importante no lento e custoso desenvolvimento da ilha após os anos da Guerra Fria.

A Igreja católica, que por muito tempo manteve uma relação conturbada com o governo cubano, é hoje a única organização não estatal atuante no país comunista.

Em 2010, Ortega intercedeu junto ao presidente Raúl Castro e ajudou a mediar um processo de libertação de 130 dissidentes. O cardeal também conduziu o aumento da cooperação entre o governo e a Igreja.

Respeitado por sua discrição, Ortega trabalhou como intermediário para o papa Francisco durante a negociação do fim de mais de cinco décadas de inimizade entre Cuba e EUA.

Washington e Havana anunciaram em dezembro de 2014 que iniciariam um processo de normalização das relações diplomáticas entre os dois países, que foram de fato restabelecidas em 2015.

A abertura de Cuba para o ocidente têm sido gradual, como um reflexo da cautela de Raúl Castro em um momento em que a ilha passa por uma transição para uma nova geração de líderes comunistas depois de mais de 55 anos sob a liderança dos irmãos Castro.

Enfrentando dificuldades financeiras graves e agarrando-se a estratégias econômicas de estilo soviético, Havana tem se mostrado cada vez mais aberta à ajuda da Igreja. Mas nesse país de mais de 11 milhões de habitantes, a Igreja local, por exemplo, ainda não possui canais midiáticos próprios. /AFP

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