Cargueiro dos EUA sequestrado chega ao Quênia sem capitão

Richard Phillips permanece em poder dos piratas somalis que o mantêm retido em um pequeno bote salva-vidas

Efe e Reuters,

11 de abril de 2009 | 16h25

O cargueiro de bandeira americana Maersk Alabama, sequestrado esta semana por piratas somalis, chegou neste sábado, 11, às 14h30 (Brasília) ao porto de Mombaça, no Quênia, sem seu capitão, que permanece retido por piratas, informou a rede de televisão CNN.

 

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O capitão da embarcação, Richard Phillips, permanece em poder de quatro piratas somalis que o mantêm retido em um pequeno bote salva-vidas a cerca de 450 quilômetros do litoral da Somália.

 

Os 20 membros da tripulação conseguiram na quarta-feira recuperar o controle do cargueiro, mas os piratas fugiram com o capitão, que se ofereceu como refém para garantir a segurança de seus subordinados.

 

Mombaça era o destino original do Maersk Alabama, para onde o cargueiro se dirigia para levar uma carga de contêineres de comida do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU.

 

Anciãos

 

Idosos somalis tentam mediar um entendimento neste sábado entre a Marinha dos Estados Unidos e piratas que mantêm um refém norte-americano em um impasse no alto mar que representa um novo dilema ao presidente Barack Obama.

 

Quatro piratas à deriva em um barco salva-vidas no Oceano Índico com Richard Phillips, o capitão de um navio de carga que eles tentaram capturar na quarta-feira, demandaram 2 milhões de dólares pelo resgate e a garantia de segurança.

 

Com três navios de guerra dos EUA na área, idosos e parentes dos piratas que mantêm Phillips planejam uma missão mediadora para tentar evitar derramamento de sangue, disse um grupo marítimo regional.

 

"Eles estão apenas tentando assegurar uma passagem segura para os piratas, nenhum resgate", afirmou o coordenador do grupo, Andrew Mwangura.

 

Philipps, 53 anos, é um de cerca de 260 reféns mantidos por piratas somalis que atuam nas movimentadas rotas marítimas do Golfo de Áden e do Oceano Índico.

 

Os reféns filipinos são maioria e os piratas mantêm cerca de 17 embarcações nas mediações da costa leste da Somália - seis delas capturadas apenas na última semana.

 

"Mais uma vez, foi preciso o envolvimento americano para realmente atrair o interesse das grandes potências mundiais", afirmou um diplomata que acompanha a Somália de Nairobi. "Espero que eles não se esqueçam dos filipinos e de todos os outros depois que esse for libertado."

 

O impasse forçou o presidente Obama a se focar em uma região que a maioria dos norte-americanos preferiria esquecer. A Somália já sofreu 18 anos de conflitos desde que líderes militares derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre em 1991.

 

Os americanos lembram com arrepios a desastrosa intervenção dos Estados Unidos e da ONU no país logo depois, incluindo a batalha de Mogadishu em 1993 quando 18 soldados americanos foram mortos em uma troca de tiros que durou 17 horas.

 

A gangue que mantém Phillips se manteve desafiadora apesar da chegada de navios da marinha dos EUA. "Nós nos defenderemos se atacados", afirmou um deles à Reuters por um telefone de satélite.

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