AFP PHOTO / MARTIN BUREAU
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Caricaturista francês que trabalhou na revista Charlie Hebdo morre aos 87 anos

Siné provocou polêmica em 2008 por publicar uma crônica sobre um dos filhos do então presidente Nicolas Sarkozy que desencadeou uma onda de críticas por antissemitismo

O Estado de S. Paulo

05 Maio 2016 | 15h12

PARIS - O iconoclasta desenhista francês Siné morreu nesta quinta-feira, 5, em Paris, aos 87 anos, após uma longa trajetória repleta de polêmicas como caricaturista. Uma delas implicou sua demissão por antissemitismo em 2008 da revista satírica Charlie Hebdo, para a qual trabalhou por mais de 25 anos.

A página no Facebook de sua atual publicação, chamada Siné Mensuel, informou da morte de Siné (seu nome era Marcel Sinet) nesta manhã no hospital Bichat da capital francesa, após uma recente operação.

Siné nasceu em Paris no dia 31 de dezembro de 1928, e seu pai, do qual não herdou o sobrenome, cumpriu trabalhos forçados durante vários anos, o que provocou nele desconfiança do Estado, da Justiça e da polícia.

Aos 14 anos começou a estudar desenho e maquetes e, desde muito cedo se dedicava à ilustração de imprensa, embora durante um tempo, no final dos anos 1940, tenha trabalhado como cantor em um grupo de cabaré.

Como ilustrador, publicou desde 1952 no jornal France Dimanche, e em 1955 recebeu o Grande Prêmio do Humor. Mais tarde se tornou cartunista de temas políticos na revista L'Express, onde seu tom provocou um choque com o diretor da publicação, Jean-Jacques Servan-Schreiber.

Suas ideias anticlericais e anticolonialistas o colocaram em outras publicações minoritárias, algumas de criação própria, como Siné Massacre e L'Enragé, que lançou com o editor Jean-Jacques Pauvert.

Em 1981 entrou no Charlie Hebdo, onde se tornou uma das grandes estrelas, em particular com sua seção "Siné Sème sa zone".

Contudo, uma crônica publicada em julho de 2008 sobre Jean Sarkozy, um dos filhos do então presidente francês, Nicolas Sarkozy, provocou uma onda de críticas por antissemitismo. O então diretor da publicação, Philippe Val, demitiu oficialmente Siné para evitar um processo, o que provocou polêmica na imprensa francesa.

No terreno judicial, a questão terminou a favor do desenhista, que foi absolvido da acusação de incitação ao ódio racial. Ele ainda recebeu uma indenização do Charlie Hebdo por demissão abusiva.

Em agosto de 2008 Siné criou um semanário satírico, Siné Hebdo, que por falta de sucesso comercial e econômico acabou se convertendo em 2011 no mensal Siné Mensuel. /EFE

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