Carlos Menem será interrogado sobre atentado na Argentina

Juiz considerou ex-presidente suspeito de ter ajudado a proteger 'conexão local' de ataque contra AMIA

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

13 de novembro de 2008 | 19h14

O juiz federal Ariel Lijo convocou o ex-presidente argentino Carlos Menem (1989-99) para ser interrogado sobre o atentado terrorista ocorrido em 1994 contra a sede da associação beneficente judaica AMIA. Lijo considera que Menem é suspeito de ter contribuído na proteção da denominada "conexão local" do ataque. No atentado - o pior da América Latina - morreram 85 pessoas e 300 foram feridas e mutiladas. Apesar dos 14 anos transcorridos, os autores do crime ainda não foram julgados.A suspeita da Justiça é de que argentinos colaboraram na preparação do ataque com homens e material explosivo. Além disso, o juiz suspeita que Menem brecou as investigações sobre uma pista que indicava o envolvimento de Kanore Edul, cidadão sírio, autor de um telefonema a Carlos Telleldín oito dias antes do atentado. Telleldín foi o vendedor da camionete utilizada como carro-bomba no ataque à AMIA. Na agenda de Edul a polícia encontrou o telefone de outro suspeito, Moshen Rabbani, na época adido em Buenos Aires da embaixada do Irã, país cujo governo também é suspeito de ter participado da organização do atentado. Coincidentemente, Menem, em seu primeiro governo, possuía intensos contatos com a Síria, terra de seus pais e ex-sogros. Os pais de Kanore Edul e de Menem nasceram na mesma cidade síria, Yabrud, e eram amigos íntimos.   Além de Menem, o juiz convocou o ex-Ministro do Interior Carlos Corach e o ex-juiz federal Juan José Galeano, que iniciou a investigação do caso AMIA - e que posteriormente foi destituído por graves irregularidades no processo, entre elas, subornos a testemunhas. O promotor Alberto Nisman comemorou a convocação para o interrogatório. "Estamos cada vez mais perto da verdade."  

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