Boris Vergara/EFE
Boris Vergara/EFE

'Carlos, o Chacal' pede que Chirac testemunhe em Corte

De volta aos tribunais, célebre terrorista da Guerra Fria diz que tentou matar ex-presidente da França em atentado

O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2011 | 03h04

PARIS - Figura legendária do terrorismo de extrema esquerda dos anos 70 e 80, o venezuelano Illich Ramírez Sánchez - mais conhecido pelo nome de guerra "Carlos, o Chacal" - voltou ontem a um tribunal da França, onde está preso desde 1994. A Corte julgará sua participação em quatro atentados entre 1982 e 1983, que mataram 11 e feriram centenas.

Hoje com 62 anos, o venezuelano entrou na Corte de jaqueta azul e barba grisalha. Logo no início da sessão, identificou-se como "um revolucionário profissional" e manteve o tom combativo diante dos magistrados.

Chacal exigiu a presença no tribunal do ex-presidente francês Jacques Chirac e da mulher dele, Bernardette. Ele justificou a convocação dizendo que o político era o verdadeiro alvo de um atentado contra um trem que ia de Paris a Toulouse, em 1982. Chacal afirma que Chirac, na época prefeito da capital francesa, tomava o trem frequentemente e sempre ocupava o mesmo assento, mas não naquele fatídico 29 de março. Seu testemunho provaria que a ação armada tinha cunho político.

A bomba que o terrorista supostamente colocou embaixo da poltrona em que Chirac costumava viajar deixou cinco mortos. Sánchez teria ainda tentado assassinar Bernardette.

O presidente do tribunal de Paris, Olivier Leurent, afirmou que Chirac rejeitou o pedido dos advogados do terrorista sob a justificativa de que seu depoimento não acrescentaria muitas informações ao caso.

Chacal ergueu o punho diante da tribuna, em desafio às autoridades. Quando teve direito à palavra, atacou duramente Israel. "Ele está com uma atitude combativa como sempre", disse sua advogada e mulher, Isabelle Coutant-Peyre. Segundo ela, não há motivos para julgá-lo 30 anos após os crimes e a França tomou essa atitude "por motivos de propaganda e não de justiça".

Francis Szpiner, advogado de várias famílias de vítimas do Chacal, defendeu a volta do terrorista ao banco dos réus. Para ele, é preciso "acabar com a cultura de impunidade" de pessoas que cometeram crimes em nome de causas políticas.

Sánchez está sendo julgado ao lado de três outros réus por quatro atentados: dois em trens na França, um contra a redação de um jornal de língua árabe de Paris e outro contra um centro cultural francês na Alemanha Oriental. Ele já foi condenado à prisão perpétua pela morte dois agentes da inteligência francesa e um informante em 1975. / AFP

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