Michel Lipchitz/Arquivo/AP
Michel Lipchitz/Arquivo/AP

Carlos, o Chacal, recorre de sentença de prisão perpétua

Illich Ramirez Sanchez foi capturado em 1994 no Sudão e condenado à prisão perpétua

Agência Estado

13 de maio de 2013 | 11h17

PARIS - O militante venezuelano Carlos, o Chacal, voltou ao tribunal de Paris nesta segunda-feira, 13, para recorrer de sua condenação por uma série de ataques a bomba ocorridos na França 30 anos atrás.

O julgamento teve início com Carlos, cujo nome verdadeiro é Illich Ramirez Sanchez, comparecendo ao tribunal sem seus advogados de defesa. Carlos afirmou ter pedido a eles que não participassem da sessão.

O militante de 63 anos, que está preso na França desde sua captura no Sudão em 1994, foi condenado em 2011 por ter planejado os ataques a dois trens de passageiros em 1982 e 1983, a uma estação de trem em Marselha e ao escritório de uma revista líbia em Paris.

Carlos, que já cumpria uma sentença de prisão perpétua, foi condenado a mais uma por sua participação nos ataques que mataram 11 pessoas e deixaram cerca de 150 feridas. Acredita-se que os ataques de 1982 e 1983 na França tenham sido realizados como retaliação pela detenção de dois integrantes de um grupo militante que Carlos coordenava, em apoio à polícia secreta da Alemanha Oriental, a Stasi.

A promotoria francesa lutou para assegurar a condenação até a divulgação dos arquivos secretos da Stasi nos anos posteriores ao colapso do comunismo e à reunificação alemã. O centro da apelação de Carlos será a afirmação de que as provas obtidas a partir desses arquivos são duvidosas.

"Eu proibi meus advogados de virem me defender", disse Carlos no início do julgamento, afirmando que as autoridades venezuelanas não concordariam em cobrir os custos. "Não tenho nada contra o tribunal...não tenho intenção de sabotar o julgamento", disse ele, pedindo a indicação de advogados de defesa indicados pela corte.

Em seu primeiro julgamento, Carlos negou qualquer envolvimento nos ataques de 1982 e 1983, ao mesmo tempo em que fez uma série de pronunciamentos ambíguos sobre seu papel como "revolucionário profissional" na guerra pela libertação da Palestina e em outras causas.

Nas vária entrevistas que deu ao longo dos anos, ele assumiu a responsabilidade ou o envolvimento em dezenas de ataques nos quais centenas de pessoas perderam suas vidas.

Após anos escapando dos serviços de segurança ocidentais, ele foi finalmente preso no Sudão em 1994 e transferido para a França, onde foi condenado três anos mais parte pela morte, em 1975, de dois agentes dos serviços de segurança franceses e de um suposto informante, em Paris. / Dow Jones

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