Carregamento de armas para o Zimbábue volta à China

Pequim diz que navio com 77 t de armamentos retornou pois não conseguiu desembarcar, mas defende o envio

Agências internacionais,

24 de abril de 2008 | 08h06

A China disse nesta quinta-feira, 24, que um carregamento de armas para o Zimbábue terá de retornar à China, depois que funcionários de um porto na África do Sul se recusaram a desembarcá-lo. A Zâmbia, que sedia a Comunidade do Desenvolvimento do Sul da África, exigiu que os Estados impedissem que o navio An Yue Jiang adentrasse seu território marítimo, dizendo que as armas poderiam piorar ainda mais a crise eleitoral no Zimbábue. "Até onde sei, a companhia chinesa decidiu chamar o barco de volta e os bens destinados ao Zimbábue", disse Jiang Yu, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, em uma coletiva de imprensa. Ela disse que o motivo era que o barco não havia conseguido desembarcar as armas, mas ela defende o carregamento. "No setor de armas convencionais, temos relações de troca com alguns países. Elas correspondem às nossas leis, às resoluções do Conselho de Segurança e às obrigações internacionais da China." "Temos sido bastante responsáveis e cautelosos em relação à exportação de armas", completou ela.   Cópias dos documentos do navio chinês, o An Yue Jiang, mostram que as armas foram enviadas de Pequim para o ministro da defesa em Harare, capital do Zimbábue. A documentação foi expedida no dia 1 de abril, três dias depois das eleições no país africano. Os resultados das eleições no Zimbábue, ocorridas em 29 de março, ainda não foram anunciados. Uma pesquisa parlamentar também é motivo de desconfiança, devido a recontagens parciais. O Movimento pela Mudança Democrática (MDC), da oposição, diz ter ganhado as eleições e que o atraso na divulgação dos resultados extende um conflito no qual 10 membros do MDC já foram mortos.   Apesar das críticas internacionais, o governo chinês tem sido um grande apoiador do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e seu regime autoritário, fornecendo aviões, veículos militares e armas. A China também é acusada de ter vendido equipamentos para impedir que estações de rádio independentes de transmitam informações que contradigam a mídia oficial. Além disso, o país usou seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para evitar que a questão da crise Zimbábue fosse levantada.

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