Carreira de ex-líder enfrentou década de altos e baixos

Gore foi vice de Clinton, disputou a presidência em 2000, mas perdeu em decisão polêmica

Jim Rutenberg, O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2007 | 00h00

Para Al Gore, o Nobel da Paz é o salto mais recente numa memorável década de altos e baixos. Nesse período, ele foi vice-presidente de Bill Clinton, conquistou a candidatura democrata à Casa Branca no ano 2000, teve maior número de votos populares naquela eleição, mas perdeu no Colégio Eleitoral - depois que a Suprema Corte oficializou sua derrota por apenas 537 votos populares na Flórida. Assim, todos os votos desse Estado no Colégio Eleitoral foram para George W. Bush, decidindo a disputa. Bush teve 271 votos no Colégio Eleitoral e Gore, 267.A decisão de Gore de encerrar a batalha depois do veredicto da Justiça decepcionou seus simpatizantes mais fiéis. E ele se manteve praticamente ausente da cena pública por vários anos. Gore também evitou participar de debates públicos, embora tenha aparecido para falar contra a planejada invasão do Iraque. Segundo conhecidos, foi durante essa espécie de exílio que Gore se libertou da consultoria política que o cercava e encontrou sua verdadeira voz, retomando as questões ambientais presentes no início de sua carreira.Antes mesmo de receber um Emmy pela Current, sua rede de TV a cabo "criada pelo usuário", e um Oscar por Uma Verdade Inconveniente, seu documentário sobre a mudança climática, Gore já ganhava estatura por outro motivo: a oposição à guerra no Iraque. Ele havia manifestado essa oposição inicialmente em 2002, num discurso que seus simpatizantes hoje descrevem como premonitório e injustamente repudiado, mas visto na ocasião como uma extravagância política numa época de grande popularidade de Bush.Gore é a segunda pessoa a ganhar um Oscar e um Nobel. O escritor George Bernard Shaw, Nobel de Literatura em 1925, ganhou o Oscar de 1938 pelo roteiro do filme Pigmaleão. Agora, os reanimados simpatizantes de Gore esperam que o Nobel inspire uma nova tentativa de ganhar um prêmio que, para eles, é mais que merecido: a Casa Branca.

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