Carrió suspende campanha presidencial na Argentina

Elisa Carrió, líder do Argentinos por uma República de Iguais (ARI), causou nesta terça-feira uma nova reviravolta no cenário político argentino, quando anunciou que suspendeu por tempo indeterminado a campanha para presidente da República. Carrió declarou que o motivo da suspensão é o formato das eleições presidenciais marcadas pelo governo do presidente Eduardo Duhalde, para março do ano que vem, nas quais foram excluídas as eleições parlamentares. Em diversas ocasiões a presidenciável afirmou que se as eleições forem exclusivamente presidenciais, ela não participará da disputa. O anúncio da retirada de Carrió da campanha até que o governo não convoque eleições gerais causou impacto em Buenos Aires, já que a líder do ARI era uma das favoritas para vencer. Depois de estar meses em primeiro lugar nas pesquisas de opinião pública, nas últimas três semanas foi ultrapassada pelo ex-presidente Adolfo Rodríguez Sáa, que está com 15,6% das intenções de voto. Carrió está pouco abaixo, com 15,3%. Carrió afirmou que deixa a campanha para dedicar-se às mobilizações populares que pedirão a renovação total dos cargos políticos argentinos: "é preciso que renunciemos todos nós, políticos, para que o povo argentino escolha os futuros governantes". Segundo ela, o governo deveria convocar uma assembléia constituinte em novembro, já que "a única saída é que o povo escolha os constituintes que farão a verdadeira mudança". No partido de Duhalde, o Justicialista (Peronista), existem diversos setores que se opõem à realização de eleições gerais, principalmente o círculo de aliados do ex-presidente Carlos Menem. A manobra política de Carrió não é isolada. A mobilização para a renovação total dos cargos inclui o deputado trostkista Luis Zamora, que também aparece nas pesquisas como um dos presidenciáveis favoritos; o sindicalista Victor De Gennaro, secretário-geral da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), e várias associações sociais. Diversas pesquisas indicam que mais de 90% da população quer que as eleições impliquem na renovação total dos cargos. Nos protestos populares é freqüente a frase "que se vayan todos" (que todos vão embora).

Agencia Estado,

20 Agosto 2002 | 20h24

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