Carro-bomba deixa 17 mortos em Damasco

Atentado, cuja autoria não está determinada, é o primeiro contra civis na Síria em mais de uma década

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2008 | 00h00

A explosão de um carro-bomba matou 17 pessoas e deixou dezenas de feridos na manhã de ontem em Damasco. O ataque terrorista é o primeiro a alvejar civis na Síria em mais de uma década. No entanto, é o terceiro atentado deste ano no país. Os outros tiveram como alvo o comandante militar do Hezbollah e um general sírio ligado ao grupo xiita libanês.A ação ocorreu perto de um complexo militar sírio e de Sit Zeinab, um local sagrado para muçulmanos xiitas em Damasco que costuma receber milhares de peregrinos iranianos e iraquianos anualmente. O carro carregava 200 quilos de explosivos e não estava claro se havia um suicida dentro do veículo.Até ontem à noite, nenhum grupo havia reivindicado a autoria do atentado. Nem o governo sírio de Bashar Assad levantou suspeitas sobre alguma organização. O ministro do Interior, Bassem Abdel Majeed, disse que não acusaria ninguém. "Há investigações para determinar os responsáveis", afirmou.Os EUA, que consideram a Síria um país inimigo, condenaram o atentado e ofereceram condolências às famílias. Nos últimos anos, a Síria estava isolada no cenário internacional e acabou se aliando ao Irã. Mas, recentemente, em uma guinada, Assad aproximou-se da França e estabeleceu canais indiretos de negociação com Israel, apesar de manter a estreita ligação com Teerã.No vizinho Líbano, o grupo radical sunita Jund al-Sham, ligado à Al Qaeda, era apontado como o principal suspeito de estar por trás da ação. Há poucos dias, a Síria mobilizou cerca de 10 mil militares para a sua fronteira com o norte do libanês. Na cidade de Trípoli, que se localiza nessa região, choques entre radicais sunitas e alauítas vêm ocorrendo já há alguns meses. O regime sírio de Assad é controlado por alauítas.O temor em Beirute é de que a Síria utilize o episódio para retornar ao Líbano, sob o pretexto de precisar eliminar grupos radicais, conforme especulou em artigo no jornal libanês Daily Star o jornalista Michael Young, um dos mais conceituados do Líbano. No entanto, Damasco não deu nenhuma indicação de que vá realizar uma operação no Líbano. Após ocupar militarmente o território libanês por quase 30 anos, a Síria foi obrigada a retirar as tropas do país em 2005, em meio a enorme pressão popular libanesa.

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