Feisal Omar/Reuters
Feisal Omar/Reuters

Carro-bomba deixa 79 mortos e mais de 100 feridos na capital da Somália

Nenhum grupo assumiu a autoria do atentado, que ocorreu em um contexto de intensa atividade do grupo islâmico Al-Shabab, afiliado à Al-Qaeda

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2019 | 06h48

MOGADÍSCIO - A explosão de um carro-bomba em um posto de controle deixou ao menos 79 mortos em um bairro movimentado de Mogadíscio, em um dos ataques mais sangrentos registrados na capital da Somália, palco habitual de atentados terroristas islamitas.

O ataque ocorreu em uma área de tráfego intenso, perto de um posto de controle das autoridades e de um escritório da alfândega. O local ficou coberto de detritos e de veículos carbonizados.

"O número de mortos chega a 79 neste momento e os feridos são mais de cem", disse a jornalistas o chefe da polícia somali, Abdi Hassan Mohammed.

O presidente somali, Mohamed Abdullahi Farmaajo, condenou o ataque. "Este inimigo tenta aplicar a vontade destruidora do terrorismo internacional, nunca fizeram nada positivo por nosso país", declarou. "Tudo que fazem é destruir e matar". 

Segundo a autoridade policial Ibrahim Mohamed, "dois cidadãos turcos, aparentemente engenheiros civis envolvidos na construção de estradas, estão entre os mortos".

Em Ancara, o ministro turco de Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, confirmou que dois cidadãos turcos "perderam a vida em um cruel atentado terrorista perpetrado em Mogadíscio". O Ministério da Defesa informou no Twitter que enviou um avião militar turco à Somália com pessoal e ajuda médica. 

O secretário-geral da ONU, António Gutérres, condenou o atentado e garantiu que "os responsáveis por este crime horrível têm que ser levados à Justiça".

Entre as vítimas, há pelo menos 16 estudantes da Universidade de Banadir. 

"Um micro-ônibus transportava 17 estudantes e apenas um deles sobreviveu", explicou à AFP um aluno desta universidade privada que pediu para não ter o nome revelado. 

"Tudo o que pude ver foram corpos [...] dispersos e alguns calcinados, irreconhecíveis", disse uma testemunha, Sakariye Abdukadir.

O ataque, que não foi reivindicado no momento, ocorre em um contexto de intensa atividade do grupo islâmico Al-Shabab, afiliado à Al-Qaeda.

Os insurgentes prometeram derrubar o governo da Somália, que tem o apoio da comunidade internacional e de 20.000 membros da força da União Africana na Somália (Amisom). 

O Al-Shabab emergiu da União dos Tribunais Islâmicos, que controlava o centro e o sul da Somália, e estima-se que atualmente tenha de 5.000 a 9.000 membros.

O grupo radical islâmico foi expulso de Mogadíscio em 2011. Depois disso, perdeu a maioria de seus redutos.

No entanto, continua poderoso em algumas partes do país, onde realiza operações de guerrilha e atentados suicidas, incluindo na capital.

Seus alvos costumam ser governamentais, forças de segurança e civis.

O país, localizado no chifre da África, foi tomado por conflitos desde 1991, quando senhores tribais derrubaram o governo do ditador Siad Barre. Desde então, disputam o poder.

Duas semanas atrás, cinco pessoas morreram em um ataque do Al-Shabab em um hotel de Mogadíscio, muito frequentado por políticos, militares e diplomatas.

Desde 2015, 13 ataques foram realizados na Somália. O ataque mais sangrento da história do país ocorreu em outubro de 2017, quando um caminhão-bomba explodiu na capital, matando 512 pessoas e ferindo 295. / Reuters, EFE, AP e AFP

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