Carro-bomba mata 30 no Paquistão

Alvo do ataque seria QG do serviço secreto, mas militantes acertaram centro médico; 300 ficaram feridos

NYT E AFP, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

Militantes suicidas atacaram ontem a tiros e com um automóvel carregado de explosivos um edifício em Lahore, leste do Paquistão, deixando pelo menos 300 feridos e 30 mortos. Os insurgentes teriam tentado atingir o quartel-general da principal agência de espionagem paquistanesa, o ISI, mas acabaram acertando um serviço de ambulâncias.Funcionários paquistaneses que pediram anonimato relataram que uma caminhonete branca se aproximou da calçada, quando um militante desceu do veículo e abriu fogo. Mas, por causa das barreiras de segurança, o motorista não conseguiu se aproximar da sede do ISI e o carro foi detonado diante do centro de socorro médico. Segundo testemunhas, houve intensa troca de tiros entre insurgentes e forças de segurança após a explosão, que teria matado dois militantes. Outros três acabaram presos e um conseguiu escapar. Entre os mortos já confirmados oficialmente estão 14 policiais e 1 coronel que trabalhava para o ISI. A explosão abriu uma cratera com cerca de seis metros de diâmetro e fez o prédio atingido desabar. Carros estacionados diante do edifício foram esmagados.Para o ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, o ataque foi uma resposta às recentes vitórias do Exército contra insurgentes no Vale do Swat. "Acredito que elementos anti-Paquistão, que desejam desestabilizar o país e ver uma derrota em Swat, voltaram-se agora para nossas cidades", declarou Malik.Desde o início do mês, o governo do Paquistão conduz uma grande ofensiva contra militantes fundamentalistas em Swat. Na segunda-feira, o Exército conseguiu controlar a principal cidade da província, Mingora. Estima-se que 1,8 milhão de pessoas tenham sido obrigadas a deixar seus casas por causa dos combates.PARCERIA PERIGOSAUm desconhecido grupo autointitulado Tehrik-i-Taleban assumiu na internet autoria dos ataques, mas a informação não foi confirmada. Forças paquistanesas temem que o atentado de ontem seja produto de uma parceria inédita entre o Taleban e o Lashkar-i-Taiba - grupo responsabilizado pelos ataques em série contra Mumbai, em novembro, que mataram 164. Situada no Província do Punjab, próximo da fronteira com a Índia, Lahore está distante da área de controle do Taleban, no oeste do país.Durante aos anos 80 e 90, o ISI deu apoio a movimentos fundamentalistas. A agência é até hoje acusada por governos ocidentais de complacência e cooperação com insurgentes - incluindo a Al-Qaeda - no Paquistão e Afeganistão. O governo paquistanês, porém, nega a informação.

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