Carro-bomba mata 53 diante de QG do partido de Assad, em Damasco

A explosão de um carro-bomba no coração de Damasco - entre a sede do partido do regime, o Baath, e a embaixada da Rússia - deixou ontem 53 mortos e 200 feridos, segundo a TV estatal síria. O Observatório Sírio de Direitos Humanos, organização opositora com base em Londres, disse que 59 pessoas morreram no ataque, cifra que faria do atentado o mais mortífero na capital desde o início da guerra civil, há quase dois anos.

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h03

O regime do presidente Bashar Assad afirmou que a ação foi cometida por "terroristas" - termo genérico que Damasco utiliza para se referir a todos que pegam em armas contra o governo. Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque e a Coalizão Nacional Síria, que reúne facções que lutam contra Assad, condenou o atentado.

O único ataque dessas proporções na capital síria foi cometido pelo grupo fundamentalista islâmico Jabhat al-Nusra, ligado à Al-Qaeda, em maio, quando uma dupla explosão diante de um complexo do aparato de inteligência do regime deixou 55 mortos, incluindo autoridades de alto escalão.

Não está claro ainda qual era o alvo da ação. A imprensa estatal afirma que apenas civis foram mortos, enquanto opositores dizem que 16 integrantes das forças do regime estão entre as vítimas.

Nos últimos três dias, moradores de Damasco passaram a conviver com explosões e disparos de granadas de morteiros. Ontem, poucas horas depois do atentado, ocorreram outras três explosões que teriam matado 13 pessoas na capital.

Os ataques em Damasco, somados ao avanço dos rebeldes nos subúrbios da cidade, converteram-se na maior ofensiva contra o coração do regime em 23 meses de rebelião. A ONU estima que mais de 70 mil sírios morreram em razão da guerra civil. Até o momento, porém, o centro da capital mantinha-se relativamente isolado da onda de violência que varre o país.

Alvos. A TV estatal síria exibiu ontem imagens chocantes, com corpos carbonizados e carros que teriam sido destruídos na explosão. Bombeiros tentavam apagar as chamas entre pedaços de cadáveres. Uma cratera no asfalto marcava o local onde o carro-bomba teria sido acionado.

O atentado ocorreu entre um posto de controle na altura da embaixada russa e o QG do Partido Baath, que governa a Síria desde os anos 60. Em entrevista à agência russa RIA Novosti, um funcionário de Moscou disse que a explosão danificou o prédio da missão diplomática, mas não deixou vítimas russas. Na região, também há uma escola e uma mesquita.

"Foi imenso, tudo dentro da loja virou de cabeça para baixo", disse um comerciante da rua em que houve o atentado. Segundo ele, alguns de seus funcionários ficaram feridos e uma garota que passava diante da loja morreu ao ser atingida por estilhaços. "Puxei ela para dentro, mas ela já estava quase morta. Não a conseguimos salvar", afirmou o homem, que pediu para não ser identificado.

Entre os feridos está Nayef Hawatmeh, líder da Frente Palestina de Libertação Nacional (FPLN), grupo radical anti-Israel com base em Damasco. Ele estava no escritório da organização, a um quarteirão do local da explosão, e foi atingido por estilhaços de vidro. Levado ao hospital, Hawatmeh foi liberado pouco depois.

O número de atentados a bomba na Síria vem crescendo nos últimos meses. O Jabhat al-Nusra diz ter realizado sete ataques com explosivos desde o início do mês. / AP

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