Carro-bomba mata general libanês

François al-Hajj liderou operação contra o Fatah al-Islam e era apontado como principal candidato à chefia do Exército

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

Beirute - Um atentado com carro-bomba matou ontem o chefe de operações do Exército libanês, general François al-Hajj, seu motorista e seu segurança no bairro cristão de Baabda, em Beirute, perto do palácio presidencial. Hajj, um cristão maronita, era o principal candidato para suceder ao chefe do Exército, general Michel Suleiman, que pode ser eleito presidente do Líbano na próxima semana.O ataque aumentou a tensão no país, onde líderes rivais estão envolvidos em uma disputa sobre a presidência, na maior crise política desde a guerra civil (1975-90). A presidência está vaga desde o dia 23, quando terminou o mandato do presidente Émile Lahoud, pois a maioria governista pró-EUA e a oposição pró-Síria não haviam conseguido um candidato de consenso. Pela divisão sectária de cargos políticos no Líbano, o presidente deve ser um cristão maronita, assim como o chefe do Exército. Após adiarem por sete vezes a eleição presidencial, os partidos concordaram com o nome de Suleiman para o cargo. Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo atentado contra Hajj, ocorrido depois de oito ataques contra políticos e jornalistas anti-Síria nos últimos dois anos. "O Exército e o povo libanês não cederão ao terrorismo", disse o general Suleiman em um comunicado. "O martírio (de Hajj) nos fortalece e reforça nossa crença na vitória e nossa confiança no futuro do Líbano."O primeiro-ministro libanês, o muçulmano sunita Fuad Siniora, disse que o Exército foi atacado por seu papel na preservação da segurança e estabilidade do Líbano. Este foi o primeiro atentado contra o Exército libanês, que tem permanecido neutro na crise política.Alguns políticos disseram que o ataque foi um alerta para que os militares fiquem fora da política, enquanto outros acusaram o grupo muçulmano xiita Hezbollah. Mas o principal suspeito é o grupo muçulmano sunita Fatah al-Islam, que o Exército combateu de maio a setembro no campo de refugiados palestinos de Nahr el-Bared, no norte do Líbano. A operação contra os militantes do Fatah al-Islam foi liderada por Hajj e deixou cerca de 400 mortos. A Síria também foi citada como suspeita por políticos da coalizão governista pró-EUA. No entanto, o governo sírio condenou o atentado e negou estar envolvido.O ministro libanês das Telecomunicações, Marwan Hamadeh, acusou o "eixo Irã-Síria" pelo ataque ao Exército, "a única instituição no Líbano que pode controlar o Hezbollah e as outras milícias". O Hezbollah, que tem boas relações com o Exército, denunciou o assassinato e disse que a morte de Hajj é "uma grande perda nacional".A França (que vem mediando uma solução para a crise política em sua antiga colônia) e a União Européia condenaram o ataque.A explosão ocorreu às 7h10 locais (3h10 em Brasília), pouco depois de Hajj sair de casa para seguir, provavelmente, para o Ministério da Defesa. Um BMW com 35 quilos de explosivos foi detonado por controle remoto quando a picape de Hajj passava, destruindo o veículo e abrindo uma cratera de dois metros de largura e um de profundidade.

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