AFP PHOTO / CHRISTOPHE SIMON
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Autoridades europeias buscam oitavo suspeito de cometer atentados em Paris

França emite mandado de prisão contra Abdeslam Salah, de 26 anos; Autoridades francesas e belgas confirmam que 3 suspeitos mortos durante ataques eram franceses 

Andrei Netto, Correspondente, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2015 | 08h57

(Atualizada às 16h50) PARIS - A França confirmou neste domingo, 15, que busca pelo oitavo suspeito de ter participado dos ataques terroristas em Paris na sexta-feira 13. A polícia francesa lançou uma ordem de busca e detenção contra Abdeslam Salah.

Segundo a nota divulgada pela polícia, que pede a quem tenha informações sobre Salah para entrar em contato com as autoridades, o homem tem 26 anos, nasceu em Bruxelas e mede 1m75 de altura. 

Segundo a agência AFP, um dos homens presos contou ser irmão do homem que alugou um volkswagen Polo preto - encontrado perto da casa de shows Bataclan - e continua foragido. O terceiro irmão também teria participado dos atentados e morreu em um dos locais atacados.

Outros três terroristas que cometeram os atentados em Paris na sexta-feira eram cidadãos franceses, afirmaram autoridades francesas e belgas neste domingo. Um deles é Ismael Omar Mostefai, um francês de 29 anos nascido na periferia, em Courcouronnes, no departamento de Essonne, que vivia no bairro de La Madeleine, em Chartres, a 90 quilômetros ao sudoeste de Paris. A polícia confirmou ter identificado Ismael como um dos autores do atentado à casa de shows Bataclan.

Condenado oito vezes por crimes menores, ele nunca cumpriu pena em regime fechado. Mas, desde 2010, era investigado pelo serviço secreto francês por suspeita de radicalismo extremista. Desde então, uma ficha "S", que indica o cadastro de potenciais terroristas, havia sido criada a seu respeito, colocando-o em uma lista de cerca de 10 mil pessoas que podem eventualmente passar a ser monitoradas pela polícia.

Os outros dois franceses moraram em Bruxelas, um deles no bairro de Molenbeek, e "morreram no local" dos atentados, afirmou neste domingo a Procuradoria federal belga.

No total, sete pessoas foram presas na Bélgica desde sábado em conexão com os atentados. "Alguns deles poderiam ser encaminhados ao juiz de instrução nas próximas horas", de acordo com a mesma fonte.

Além disso, "dois automóveis matriculados na Bélgica" foram encontrados pelos investigadores franceses, "um próximo à casa de shows Bataclan (o Polo preto) e o outro perto do cemitério parisiense Père Lachaise", explica a procuradoria. "A investigação demonstrou que esses dois veículos foram alugados no início desta semana na região de Bruxelas", de acordo com a mesma fonte.

"Uma pessoa que alugou um dos veículos foi interpelada em Cambrai (norte da França), em 14 de novembro às 9h10 na estrada A2 em direção a Bélgica. Em seguida, o carro foi interceptado em Molenbeek-Saint-Jean ontem (sábado) no final da tarde", explicou a procuradoria.

O Ministério do Interior da França informou que a polícia localizou o automóvel Seat Leon de cor preta que teria sido usado em dois atentados, o primeiro da Rue La Fontaine-au-Roi, que deixou cinco mortos, e o segundo na Rue de Charonne, onde 19 pessoas morreram. O veículo estava abandonado em Montreuil, na periferia de Paris, com três fuzis kalachnikov, mas pelo menos dois de seus ocupantes continuam desaparecidos.

 

A localização do veículo confirma o pesadelo das autoridades da França: o de que ainda haja terroristas desaparecidos dentre os que integraram as três equipes que atacaram sete locais de Paris e de Seine-Saint-Denis na noite de sexta-feira. Segundo o Ministério Público, o automóvel foi visto por testemunhas em dois dos ataques, nos quais três homens foram vislumbrados. Um deles teria sido deixado no restaurante Comptoir Voltaire, em Boulevard de Voltaire, onde acionou o cinturão de explosivos, mandando a si mesmo e ferindo uma pessoa com gravidade.

A polícia belga também realizou no sábado buscas em Molenbeek. "As peças apreendidas estão sendo analisadas", segundo a procuradoria. Desde os primeiros momentos "as autoridades judiciárias belgas e francesas colaboram ativamente entre si. Para acelerar o intercâmbio de informações, decidiram criar uma equipe de investigação conjunta. Investigadores franceses estão atualmente em Bruxelas", indicou ainda. /Com AFP 

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