Carros-bomba matam pelo menos 26 na Argélia

Supostos militantes da Al Qaeda detonaramdois carros-bomba na terça-feira em Argel, matando entre 26 e67 pessoas, num dos ataques mais violentos desta década naArgélia. A ala norte-africana da Al Qaeda disse em nota divulgadanum site islâmico que dois de seus membros realizaram osatentados na Argélia, país que exporta gás e petróleo. O grupo divulgou fotos do dois supostos homens-bombasegurando rifles. Não foi possível verificar a autenticidade danota. Oficialmente, há 26 mortos e 177 feridos, mas uma fonte doMinistério da Saúde disse que há 67 vítimas fatais. O primeiro-ministro Abdelaziz Belkhadem afirmou que ogoverno não tem por quê esconder vítimas e que seria imoral porparte da imprensa internacional "apostar para cima" no númerode mortos. A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que pelomenos cinco de seus funcionários provavelmente estão entre osmortos, já que uma das explosões destruiu totalmente oescritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimentoe provocou sérios danos no Acnur (agência da ONU pararefugiados), no bairro de Hydra. "Não tenho dúvida de que a ONU tenha sido o alvo", disse àTV BBC o alto comissário da ONU para refugiados, AntónioGuterres. O ministro argelino do Interior, Noureddine Yazid Zerhouni,atribuiu os ataques ao Grupo Salafista de Pregação e Combate,antigo nome da ala norte-africana da Al Qaeda. A Al Qaeda norte-africana reivindicou em abril um atentadosimilar em Argel, além de outras explosões subseqüentes a lesteda capital. A outra explosão da terça-feira aconteceu no bairro de BenAknoun, perto da Corte Constitucional. Várias empresasocidentais têm filiais nos dois bairros atingidos. A agência estatal de notícias APS disse que entre os mortosestavam estudantes num ônibus escolar que passava por BenAknoun. Naquela área, as pessoas corriam em pânico pelas ruas, comseus gritos se misturando ao som das sirenes. Um corpo estavacaído no chão, coberto por um manto branco. Dois ônibusqueimavam, enquanto a polícia tentava afastar os curiosos. "Quero ligar para a minha família, mas é impossível. A redeestá congestionada", disse uma mulher de véu, funcionária deuma perfumaria. "Houve uma enorme explosão, tudo tremeu, tudo caiu",escreveu um funcionário da ONU no site da BBC. "Eu me escondisob um móvel para não ser atingido pelos destroços. Uma colegaminha tinha uma grande ferida no pescoço, estava sangrandogravemente." A Argélia, importante fornecedora de gás para a Europa,ainda se recupera de mais de uma década de violência política,iniciada em 1992, quando o governo da época, com apoio dosmilitares, cancelou uma eleição para a qual políticos islâmicoseram favoritos. Até 200 mil pessoas foram mortas desde então.

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