Carta diplomática contra política de Blair e Bush no Iraque

Mais de 50 ex-diplomatas britânicosassinaram uma carta endereçada ao primeiro-ministro Tony Blaircriticando duramente sua política para o Oriente Médio e pedindoa ele para execer maior influência sobre os Estados Unidos. Na carta, eles afirmam que a coalizão liderada pelos EUA nãose preparou adequadamente para a fase pós-guerra no Iraque. A carta, assinada por 52 ex-diplomatas, incluindo embaixadores altos comissários e governadores, também condena o presidentedos EUA, George W. Bush, por ter endossado planos de Israel demanter assentamentos na Cisjordânia e critica Blair por terapoiado publicamente a idéia. "Essas questões precisavam ser ditas... já há algum tempo",explicou à Associated Press Oliver Miles, ex-embaixadorbritânico na Grécia. O escritório de Blair rechaçou as críticas. "Nossos objetivos tanto no Iraque quanto no conflitoisraelense-palestino continuam sendo estabilidade, paz,liberdade no Oriente Médio", frisou o porta-voz oficial deBlair. Entre os que assinaram a carta estão dois ex-embaixadores emBagdá e um ex-embaixador em Tel Aviv. "Nós... temos observado com preocupação cada vez maior aspolíticas que você tem seguido nos problemas árabe israelense eiraquiano, em cooperação estreita com os Estados Unidos",afirmam na carta. "Sentimos que chegou o momento de tornarpública nossa ansiedade, na esperança de que ela irá serdebatidas no Parlamento e levará a uma redefiniçãofundamental". Miles, que coordenou a elaboração da carta, disse que ela foiprecipitada pela visita de Blair a Washington no começo do mêsquando o premier apoiou publicamente o plano de Israel de seretirar da Faixa de Gaza mas manter assentamentos naCisjordânia. O endosso de Bush ao plano do primeiro-ministro israelense,Ariel Sharon, enfureceu os palestinos. Críticos afirmam que aação unilateral sabota o "roteiro para a paz" elaborado pelachamado Quarteto - EUA, Rússia, União Européia e Nações Unidas. Blair, concordando com Bush, avaliou que o plano de Sharon eraum passo à frente - e não para trás - nas aspirações dospalestinos de terem um Estado. A carta denuncia que a proposta de Sharon é "unilateral eilegal" e "custará ainda mais sangue israelense e palestino". Voltando-se para o Iraque, a carta considera não ter havido"um plano efetivo para um arranjo pós-Saddam". Ela tambémcritica táticas militares empregadas pela coalizão,particularmente o cerco de Faluja. "Compartilhamos sua visão de que o governo britânico teminteresse em trabalhar o mais próximo possível com os EstadosUnidos nessas duas questões relacionadas, e em exercer umaverdadeira influência como um leal aliado", admitiram."Acreditamos que a necessidade de tal influência é agora umaquestão de máxima urgência. Se isso for inaceitável ou não forbem-vindo, não há razão para apoiar políticas que estão fadadasao fracasso". O escritório de Blair não quis responder à carta ponto a ponto mas sublinhou que o governo continua comprometido com a soluçãode dois Estados no Oriente Médio, como contemplado no "roteiropara a paz." Menzies Campbell, porta-voz de assuntos exteriores dooposicionista Partido Liberal Democrata, exortou Blair arefletir sobre os conselhos contidos na carta. "Trata-se da mais notável intervenção no debate sobre oOriente Médio por parte de um grupo de pessoas que quasecertamente são as maiores especialistas na Grã-Bretanha sobre oassunto".

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