Robin Van Lonkhuijsen / EFE
Robin Van Lonkhuijsen / EFE

Carta encontrada em carro de suspeito confirmaria pista terrorista do ataque na Holanda

Ministério Público holandês e a polícia informaram que, até o momento, nenhum vínculo foi estabelecido entre o suposto autor da ação e as vítimas

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 09h11

UTRECHT, HOLANDA - Os investigadores do ataque de Utrecht, na Holanda - que deixou três mortos em um bonde elétrico -, indicaram nesta terça-feira, 19, que consideram seriamente uma pista terrorista depois de terem encontrado uma carta no carro do principal suspeito.

Em um comunicado conjunto, o Ministério Público holandês e a polícia informaram que, por ora, não foi estabelecido nenhum vínculo entre o suspeito de origem turca e as vítimas do ataque de segunda-feira em um bonde da cidade.

Na véspera, as autoridades holandesas afirmaram que provavelmente a ação teve motivação terrorista, mas que "não podiam descartar" outras razões, como uma disputa familiar. 

Na tarde de segunda-feira, a polícia prendeu um homem identificado como Gokmen Tanis, de 37 anos, considerado o principal suspeito.

Suspeitos interrogados

A polícia da Holanda interroga nesta terça as três pessoas detidas após o ataque, incluindo Tanis. Ele foi detido horas depois de seu irmão mais novo, conhecido pelo Serviço Geral de Inteligência e Segurança da Holanda (AIVD, sigla em holandês) por suas ideias extremistas. Uma terceira pessoa também foi detida, mas não teve sua identidade divulgada.

Segundo fontes da polícia, Tanis tem pelo menos nove antecedentes criminais desde 2012 por "crimes comuns" e, há duas semanas, teve de testemunhar em três casos: roubo de bicicletas na rua, roubo em uma loja de bicicletas e caso de estupro e maus-tratos a uma mulher, crime pelo qual ele ficou preso por seis semanas.

Amigos e pessoas próximas a ele, que também foram interrogados pela polícia, o descreveram como um homem "pouco estável" e com "problemas psicológicos", mas também ressaltaram que há dois anos, após seu divórcio, ele teve fases nas quais era um "religioso muito praticante e que deixava a barba crescer" e"só se dedicava a beber álcool".

Já o irmão está ligado a alguns movimentos salafistas e, segundo o AIVD, lutou na Chechênia com um grupo jihadista há alguns anos e compartilhou nas redes sociais textos nos quais que ele chama de "malditos" os democratas e ateus.

"A possibilidade de que tenha sido um ataque terrorista é pequena", afirmou Mahmut Tanis, tio de Gokmen. O pai do suspeito, Mehmet Tanis, que vive na cidade turca de Kayseri, disse aos veículos de comunicação que há anos não tem notícias do filho. "Não falo com meu filho há 11 anos. Se ele fez isso, deve pagar. Não tenho informações sobre seu estado psicológico durante o ataque." / AFP e EFE

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