Olga Maltseva/AFP
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Cartas da família Romanov voltam à Rússia cem anos depois

Alguns membros da família imperial levaram cartas, fotografias e desenhos em sua fuga das perseguições da revolução de 1917

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2017 | 18h50

MOSCOU - Cem anos após a revolução russa, uma coleção de documentos dos Romanov volta ao país, contando o dia a dia da família imperial em telegramas sobre caçadas ou cartas angustiadas devido à chegada ao poder dos bolcheviques.

Alguns membros da família imperial levaram cartas, fotografias e desenhos em sua fuga das perseguições da revolução de 1917. 

Esses documentos faziam parte de uma coleção privada em Londres, até que o banco estatal russo Sberbank os comprou, em julho, por mais de € 70 mil. Agora, podem ser vistos no Museu de Tsárskoye Seló, a cidade dos czares, nos arredores de São Petersburgo, onde a família real passava os verões.

"Essas cartas e telegramas expõem a vida cotidiana da família imperial, e o muito que se amavam", disse à France-Presse Irina Raspopova, do fundo de conservação do Museu de Tsárskoye Seló.

Entre os aproximadamente 200 documentos, há a correspondência do último czar da Rússia, Nicolau II, a de sua mulher, Alexandra Feodorovna, de seu pai, Alexandre III, e de outros membros da família Romanov, entre 1860 e 1928.

"As coisas não vão muito bem, mas cacei e matei onze faisões", escreve o imperador Alexandre III em uma carta à sua filha Xenia, encontrada em um envelope com a anotação "Telegramas do papai. 1894", ano da morte do czar.

Os documentos estão escritos em russo, francês e inglês, em papel amarelado e com monogramas dos membros da família Romanov ou o nome dos hotéis em que se hospedaram em suas viagens.

Mas o tom das cartas e telegramas se torna mais sombrio à medida que os acontecimentos tumultuados de 1917 se desenrolam - da queda da monarquia à tomada comunista do poder, até o fim do ano.

"Continuamos indo ladeira abaixo e é fácil imaginar o que nos espera", escreveu o grão-duque Nicolau Mikhailovich, tio de Nicolau II, em 1918, meses antes de ser executado por ordem das novas autoridades bolcheviques.

O grão-duque descreve em suas cartas o ambiente revolucionário que reinava em São Petersburgo, que foi a capital da Rússia bolchevique até 1924, mencionando Lenin e Trotsky e as buscas realizadas em seu palácio.

"Ainda não se escuta o canhão, mas é inevitável. É provável que os bolcheviques vençam", escreveu em 25 de outubro de 1917 (7 de novembro do calendário atual), dia da tomada do Palácio de Inverno./AFP 

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