Cartel acossa rivais e impõe paz em Tijuana

Domínio de grupo organizado coincide com queda de 55% nos assassinatos em polo da vida noturna

O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h04

Em nenhum outro lugar do México as mortes ligadas ao narcotráfico caíram tanto: 55% em um ano. Tijuana, cidade fronteiriça em que turistas americanos se habituaram a buscar a combinação "tequila, sexo e marijuana", voltou a ficar cheia nas noites de sábado. Falta lugar para estacionar, há filas nos bares e as calçadas estão lotadas. "Entre 2008 e 2010, o movimento noturno era mínimo", diz José Suárez, vendedor de cachorro-quente na Avenida Revolución, a principal da cidade de 1,7 milhão de habitantes.

A diferença em relação aos anos dourados deste polo turístico noturno é que o inglês ainda não voltou a ser ouvido. Os "gringos" preferem aterrissar n a tranquilidade do sul mexicano. A imagem de lugar violento, que a colocava lado a lado com Ciudad Juárez, permanece associada a Tijuana.

Embora a presença do Exército e da polícia federal seja ostensiva, especialistas atribuem a paz em Tijuana à hegemonia do Cartel de Sinaloa. "Há várias razões para a redução da criminalidade, mas a principal é que os cartéis locais, como o de Tijuana e o de Juárez, que combatiam o Cartel de Sinaloa, estão muito fracos", avalia o especialista em criminalidade Eduardo Guerrero.

A paz imposta pelo cartel sustenta-se também em ameaças à população. Boa parte dos pontos comerciais da Avenida Revolución segue fechada - indício de que comerciantes se recusaram ou não tiveram como pagar as extorsões com que o crime organizado garante dinheiro e poder.

Há outros sinais de que o Estado ainda está longe de recuperar o controle da cidade. Alguns empresários mexicanos trabalham em Tijuana e cruzam diariamente a fronteira com os EUA para dormir em território americano. Ameaçados por traficantes, ele contam com permissão especial do governo americano para atravessar a fronteira sem enfrentar a fila permanente no posto de imigração para San Diego.

Há seis meses, a polícia descobriu um túnel de 150 metros que ligava um armazém do lado mexicano a um parque industrial no lado americano. Foram apreendidas oito toneladas de maconha do traficante El Aquiles. Ele trabalhava para o Cartel de Sinaloa, comprovando a hegemonia do grupo na região. O cartel que dita as regras em Tijuana é dominado por El Chapo Guzmán, que fugiu da prisão em 2001. Segundo a revista Forbes, ele é o criminoso mais poderoso do planeta. / R.C.

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