Miguel Alemán/Efe-10/11/2010
Miguel Alemán/Efe-10/11/2010

Cartel ataca indústria de gás no México

Sequestro de trabalhadores e ameaças do narcotráfico já provocam perdas de mais de US$ 350 mil diários no Estado de Tamaulipas

, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2010 | 00h00

A violência do crime organizado e do narcotráfico está impedindo que os trabalhadores da companhia Petróleos Mexicanos (Pemex) cheguem às instalações industriais do norte do país, causando perdas estimadas em mais de US$ 350 mil por dia, de acordo com estimativas da própria empresa.

A Pemex já teria suspendido a produção de mais de 100 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, segundo informações divulgadas pela agência de notícias Associated Press e atribuídas a uma fonte da empresa que pediu anonimato. As perdas corresponderiam a US$ 10,5 milhões por mês, o que equivale a 2,3% de tudo o que o México recebe por sua produção de gás natural.

As perdas estão concentradas no campo de gás de Burgos, próximo da fronteira com o Texas, nos EUA, numa área onde os cartéis do narcotráfico têm ameaçado atacar trabalhadores da Pemex em algumas instalações da companhia.

Em maio, cinco empregados da estatal foram sequestrados por um grupo de homens armados, identificados posteriormente como membros dos cartéis de drogas que travam uma sangrenta guerra contra o governo mexicano no Estado de Tamaulipas. Mas nenhuma autoridade disse exatamente a qual cartel os sequestradores pertenciam. Até hoje o grupo de trabalhadores não foi libertado. O pai de uma das vítimas revelou que os funcionários tinham sido advertidos a não voltar a trabalhar na indústria.

A Pemex diz que a segurança dos trabalhadores e das instalações vem sendo feita por militares do Exército mexicano.

O funcionário citado pela agência também declarou que as perdas da Pemex no negócio do gás começaram no início do ano, quando os choques entre criminosos e forças do governo estavam em seu período mais agudo.

Carlos Morales, chefe da divisão de exploração e produção da Pemex, disse à imprensa local que "a proteção (das forças armadas) tem permitido à empresa retomar de maneira parcial a produção, que andou parada (por causa da violência dos cartéis)".

Apesar disso, Morales reconheceu que há locais que ainda são considerados inseguros. "São zonas onde a delinquência ameaça as pessoas, ou pode chegar até mesmo a cometer algum ato contra elas", disse.

Recentemente, dezenas de famílias deixaram o povoado de Miguel Alemán, em Tamaulipas, fugindo dos cartéis.

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