Cartel rouba da polícia corpo de capo no México

Chefe dos Zetas foi morto em confronto com fuzileiros navais em operação no domingo

CIDADE DO MÉXICO , O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2012 | 03h12

A Marinha mexicana confirmou ontem ter matado Heriberto Lazcano, o fundador e principal líder dos Zetas, um dos mais violentos grupos criminosos que aterroriza o país há anos. Mas, numa reviravolta impressionante, um grupo armado rapidamente roubou o cadáver, deixando as autoridades com dificuldade para explicar como um importante golpe contra organizações criminosas do México pode ter o efeito oposto.

A Marinha informou que havia matado Lazcano num enfrentamento de fuzileiros navais com homens armados com revólveres e granadas no domingo à tarde no Estado de Coahulla, norte do México.

Antes mesmo de a Marinha ter anunciado a morte de Lazcano, um grupo de assaltantes armados e com os rostos cobertos apareceu na casa funerária onde estava o corpo e levou dois cadáveres - o de Lazcano e o de outra pessoa morta na operação da Marinha. O procurador do Estado de Coahulla, Homero Ramos, disse que os assaltantes colocaram os corpos num carro funerário e obrigaram o diretor da funerária a guiá-lo.

Essa não foi a primeira vez que narcotraficantes mexicanos contra-atacam após uma aparente vitória das autoridades. Homens armados já tiraram seus aliados da cadeia, resgataram-nos de hospitais, tiraram colegas caídos de cenas do crime e até mataram familiares de um marinheiro das forças especiais envolvido num ataque bem-sucedido a um chefão da droga local.

O caso mais recente foi particularmente embaraçoso porque as autoridades tiveram de reconhecer a perda do corpo depois de ter divulgado a matança como um sinal de que estavam fazendo importantes incursões para controlar os cartéis.

Cisão. Analistas de segurança garantiram que ultimamente os Zetas estão divididos em pelo menos duas facções e a morte de Lazcano, juntamente com as capturas recentes de outros líderes importantes dos Zetas, provavelmente semearão ainda mais confusão e violência entre suas fileiras. Na disputa, acredita-se que líderes dos Zetas estariam se atacando mutuamente com execuções e passando informações para a polícia.

Outra operação da Marinha mexicana contra os Zetas, no domingo, em Nuevo Laredo, levou à captura de um homem que as autoridades disseram ser o líder regional da gangue em três Estados fronteiriços.

Eduardo Guerrero, consultor de segurança que acompanha de perto o crime organizado, revelou a impressão de que o governo mexicano, que com frequência age com informações fornecidas pela agência americana de combate às drogas (DEA), vem atingindo com particular dureza os Zetas e capitalizando as divisões no grupo.

Ele disse que houve 17 importantes prisões de líderes do grupo no ano passado. Lazcano, que é também conhecido como "O Executor", era procurado pelos agentes americanos por tráfico de drogas. A recompensa oferecida por ele estava estipulada em US$ 5 milhões.

Os fuzileiros navais são considerados a força mais profissional do México e têm sido responsáveis por algumas das capturas e mortes mais significativas na guerra contra as drogas. / THE NEW YORK TIMES

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