Carter encerra visita a Cuba sem libertar americano

O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter se reuniu hoje com o prestador de serviços norte-americano Alan Gross, em Cuba, mas disse que os líderes cubanos deixaram claro que não pretendem libertá-lo.

AE, Agência Estado

30 Março 2011 | 17h39

O anúncio foi uma decepção para os familiares de Gross, já que a viagem provocou expectativas de que o ex-presidente de 86 anos conseguiria levá-lo para casa. Gross está cumprindo uma sentença de 15 anos de prisão, depois de ter sido condenado, no início do mês, por levar equipamentos de comunicação para Cuba de maneira ilegal.

Funcionários do Departamento de Estado dos EUA disseram, em condição de anonimato, que as autoridades cubanas indicaram que poderiam libertar Gross por razões humanitárias após o julgamento. Mas Carter disse, desde o início da visita, que sabia que Gross não seria libertado durante sua permanência no país. "As autoridades cubanas deixaram muito claro para mim, antes de eu sair de casa, que a liberdade de Gross não seria concedida".

Carter disse que se encontrou nesta manhã com Gross, num local não divulgado, e que o prestador de serviços de 61 anos disse a ele que perdeu 40 quilos desde que foi preso, em dezembro de 2009. "Ele ainda parece estar animado e afirma sua inocência", disse Carter.

Segundo o ex-presidente, o advogado de defesa de Gross pretende apelar da condenação, mas se isso não der certo "talvez, no futuro, uma ordem do Executivo possa ser emitida para dar a ele o perdão, uma libertação por razões humanitárias". A filha de Gross, de 26 anos, e sua mulher sofrem de câncer. O ex-presidente disse acreditar que Gross é "inocente de todos os crimes" e não representa "uma séria ameaça" ao governo cubano.

Além de se encontrar com Gross, Carter também se reuniu hoje com Fidel Castro, um dia depois de conversar com o presidente Raúl Castro. "Nós nos cumprimentamos como velhos amigos", disse Carter sobre a reunião com o ex-líder cubano, de 84 anos. Segundo ele, Fidel "parece estar bem de saúde". Mais tarde, Carter pegou o avião no aeroporto internacional de Havana e deixou a ilha.

Durante os três dias de visita, Carter também se reuniu com autoridades do governo e líderes religiosos. Hoje, ele tomou café da manhã com membros da pequena comunidade opositora da ilha, dentre eles dez dissidentes recentemente libertados da prisão pelo governo cubano e membros do grupo Mulheres de Branco.

O ativista dos direitos humanos Elizardo Sanchez falou que Carter disse aos dissidentes que "queria expressar sua solidariedade e reconhecimento ao movimento para os direitos civis e também da emergente sociedade civil". "Esperamos que sua visita seja útil, mesmo se for apenas um passo na direção da normalização das relações bilaterais entre os governos de Washington e Havana", comentou.

Já a blogueira Yoani Sanchez disse que não poderia comentar o conteúdo das reuniões. "Minhas palavras foram dedicadas à necessidade da liberdade de expressão e acesso livre à internet para os cubanos". As informações são da Associated Press.

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