Jorge Adorno/Reuters
Jorge Adorno/Reuters

Cartes é eleito no Paraguai e Partido Colorado retorna ao poder

Com vitória, legenda retoma hegemonia no país, dez meses após a queda de Lugo

ROBERTO SIMON / ENVIADO ESPECIAL ,

21 de abril de 2013 | 20h02

ASSUNÇÃO -Acusado de envolvimento com narcotráfico, lavagem de dinheiro e de ser o maior contrabandista de cigarros para o Brasil, o multimilionário Horacio Cartes, do Partido Colorado, será o próximo presidente do Paraguai, indicam resultados da apuração divulgados neste domingo, 21. Com Cartes, um novato na política, os colorados retomam sua histórica hegemonia sobre o poder paraguaio, dez meses após a queda de Fernando Lugo.

Segundo observadores internacionais, as eleições de hoje foram legítimas. Será, portanto, sob o governo colorado que Assunção retomará o status pleno no Mercosul e na Unasul a partir do próximo semestre – Cartes toma posse em agosto.

Em entrevista a uma rádio local antes da divulgação dos resultados oficiais, o candidato vitorioso afirmou que já esperava o triunfo sobre o advogado Efraín Alegre, do Partido Liberal. Cartes afirmou que "a participação dos jovens desde as primárias do partido" foi decisiva.

O colorado teve 45,98%% dos votos e o liberal 36,9%, com 56% das urnas apuradas . Além do Palácio los López, o Partido Colorado teria conquistado ainda a maioria do Congresso. Cartes, de 56 anos, foi o favorito desde o início da campanha, mas viu sua vantagem diminuir nos últimos meses. O bom momento de Alegre, porém, não foi suficiente.

Liberais ameaçaram não reconhecer o resultado da eleição após um comentário do vice-presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), Juan Manuel Morales. Seis horas antes do fechamento das urnas, o ministro disse que as primeiras informações indicavam ampla vantagem de "um dos candidatos". Em seguida, completou: "E Efraín (Alegre) terá de reconhecer essa realidade", insinuando que o rival de Cartes estava prestes a ser derrotado. Morales, número 2 da Justiça Eleitoral, foi candidato à prefeitura de Assunção, em 1992, pelo Partido Colorado e ministro da Justiça no governo – também colorado – de Juan Carlos Wasmosy (1993-1998).

Diego Abente Brun, chefe da campanha de Alegre, disse ao Estado que os comentários são "delitos flagrantes e absurdos" cometidos para influenciar os resultados das urnas. Em entrevista coletiva, o próprio candidato liberal acusou o vice-presidente do STJE de conspirar contra sua candidatura. Os colorados silenciaram.

Tranquilidade. Houve ainda denúncias de compra de votos em regiões afastadas, mas, segundo observadores, os desvios "não saíram do esperado" para o Paraguai. Oficialmente, o chefe da missão eleitoral da OEA, o ex-presidente da Costa Rica e Nobel da Paz, Oscar Árias, disse não ter recebido nenhuma denúncia. "Estou muito contente em ver a tranquilidade das pessoas", afirmou.

Apesar de as pesquisas de boca de urna serem proibidas no dia da eleição, diversas sondagens foram divulgadas, de hora em hora, pelos principais grupos de imprensa, trocando apenas os nomes dos candidatos por letras como "X" e "Y".

"Há uma lei clara contra esses levantamentos, mas ela foi ignorada", afirmou um dos coordenadores do grupo de observadores da União Europeia. Ele se disse "chocado" com a violação, mas negou que ela possa ter interferido decisivamente no resultado final, considerando a ampla margem que obteve Cartes sobre seu rival.

Embora tenha sido enxotada do poder em junho, a esquerda paraguaia aparentemente conseguiu ontem um resultado inédito no Congresso: tornar-se a terceira maior força política do país. O objetivo agora, segundo disse ao Estado Mario Ferrero – o terceiro colocado na disputa presidencial –, é unificar os grupos esquerdistas, os quais disputaram divididos a campanha.

No Paraguai, o Legislativo tem amplos poderes sobre o Executivo, incluindo a capacidade abrir "julgamentos políticos" contra presidentes – como ocorreu com Lugo. Ao contrário do ex-bispo, cujo partido era nanico no Congresso, Carter governará com maioria.

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