AP Photo/Eraldo Peres
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Cartes 'está tranquilo' em relação ao pedido de prisão no Brasil, diz advogado

Defensor do ex-presidente do Paraguai volta a negar qualquer vínculo do político com o doleiro Dario Messer e diz considerar prematura qualquer discussão sobre uma possível extradição

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 14h02

ASSUNÇÃO - O ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes "está tranquilo" em relação ao pedido de prisão preventiva expedido pelo juiz federal brasileiro Marcelo Bretas por suposta lavagem de dinheiro no âmbito de investigações da Operação Lava Jato, afirmou nesta terça-feira, 19, um de seus advogados.

"Desconhecemos a denúncia que levou a essa decisão do juiz. Cartes sempre respondeu que não teve vínculos comerciais ou societários com (Dario) Messer. (Ele) nega isso de maneira enfática", disse Carlos Palácio. "Cartes e Messer não são sócios em negócios. Cartes está muito tranquilo", completou seu defensor ao ser questionado pela imprensa.

O pedido de prisão preventiva contra Cartes foi feito por um juiz do Rio de Janeiro que procurava desmantelar uma organização criminosa ligada ao doleiro Dario Messer, que foi preso em julho no Brasil depois de ser apontado como líder de uma gigantesca rede de lavagem que operava no Brasil, Uruguai e Paraguai.

"Vamos coordenar a contratação de profissionais no Brasil para internalizar a questão", disse Palacios, que considerou prematuro falar na possibilidade de uma extradição.

Em relação a um possível mandado de prisão internacional, o comissário Wilberto Sánchez, responsável pela seção da Interpol no Paraguai, disse que a agência "não recebeu nenhum requisito" contra Cartes.

O procurador de Relações Exteriores do Ministério das Relações Exteriores paraguaio, Manuel Doldán, disse que também não recebeu informações sobre um pedido de captura.

Cartes, um rico empresário de tabaco de 64 anos, governou o Paraguai entre 2013 e 2018 pelo conservador Partido Colorado, um grupo político que continua no poder com o atual presidente Mario Abdo Benítez.

A Constituição estabelece que ex-presidentes se tornam senadores vitalícios com privilégios parlamentares. Para retirar a imunidade, é necessário um voto de dois terços do Senado. O Senado do Paraguai possui 45 cadeiras e Cartes mantém a maioria na Casa.

"Um juiz (paraguaio) deve solicitar a perda do foro antes de abrir espaço para a ordem de prisão preventiva emitida pela justiça brasileira", disse o presidente do Senado, Blas Llano, do opositor Partido Liberal.

"A justiça brasileira não pode solicitar o retirada do foro ao Congresso (paraguaio). Tem que ser um juiz competente da República", afirmou Llano.

Cartes está em sua residência em Assunção, onde recebeu vários líderes políticos na terça-feira, informou a imprensa local. / AFP

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