Jorge Adorno/Reuters
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Cartes vê ‘problema jurídico’ no Mercosul

Para novo líder paraguaio, volta ao bloco foi dificultada pela incorporação da Venezuela

Lisandra Paraguassu, enviada especial a Assunção, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2013 | 22h52

O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, deixou claro nesta sexta-feira, 16, em sua primeira entrevista depois da posse, que a dificuldade para o retorno do Paraguai ao Mercosul é a presença da Venezuela. Apesar de dizer que, politicamente, não tem nada contra Caracas, afirma que foi criado um problema jurídico que precisa ser resolvido pelas chancelarias dos países-membros.

"Não temos problema com o ingresso da Venezuela. Há um problema de interpretação sobre o processo. Para nós, a decisão teria de ser por unanimidade", afirmou. "Há uma predisposição total, mas há um problema que precisamos resolver."

Pela primeira vez, Cartes deixou claro que o Paraguai voltará ao bloco e a normalização de seu status seria apenas uma questão "jurídica". "O Paraguai é parte fundamental da grande família sul-americana", afirmou. "Sua reincorporação é absolutamente necessária."

A suspensão do país ocorreu em junho de 2012, depois do impeachment do ex-presidente Fernando Lugo, considerado um golpe institucional pelos demais membros do bloco por não ter havido tempo suficiente para sua defesa. O que mais incomodou os paraguaios, no entanto, foi Brasil, Argentina e Uruguai terem usado o período de suspensão para incorporar a Venezuela, já que o Congresso do Paraguai era o único que ainda não havia aprovado a admissão. Depois da decisão, os parlamentares finalmente votaram – e vetaram a entrada dos venezuelanos. Ainda assim, a incorporação foi assinada em julho, menos de um mês depois da suspensão, e efetivada na reunião de dezembro.

Os presidentes do Mercosul aprovaram a reintegração do Paraguai na reunião de junho, em Montevidéu. A volta foi efetivada na quinta-feira. Cartes, no entanto, não aceitou porque a Venezuela recebeu a presidência do bloco, contrariando seus pedidos. A intenção é que o Uruguai retivesse o posto até a posse de Cartes e, então, o Paraguai assumiria a presidência. Os presidentes, no entanto, preferiram não ceder, o que incomodou ainda mais os paraguaios.

"Fizemos uma proposta em junho para a cúpula, mas, lamentavelmente, não se implementou. Era uma saída muito importante, era uma proposta para normalizar institucionalmente o Mercosul. Mas as portas estão abertas", disse o chanceler Eládio Loizaga. "Vamos encontrar uma solução."

Sem ter sido convidado para posse, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tentou amenizar a resistência a Caracas em uma carta a Cartes. Cumprimentou-o pela posse e pediu a reaproximação dos dois países. O paraguaio negou tê-la recebido na sexta e classificou a ação de "midiática". "Também li que houve uma aparente carta, mas não recebi."

Apesar de Caracas e Assunção garantirem que "procuram uma solução", ninguém espera que o Paraguai volte ao bloco antes de dezembro, quando a Venezuela deixa a presidência. Sem ter sido afetado economicamente pela suspensão, o Paraguai parece não ter pressa.

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