Cartões ameaçam de morte a família real japonesa

A família real japonesa está sendo ameaçada de morte. É o que garante uma emissora de tevê de Tóquio, segundo a qual alguns ministros têm recebido, desde a semana passada, cartões que alertam para o risco de que um dos membros da realeza seja morto. Os cartões são assinados por um grupo terrorista que reclama pela morte de 300 mil chineses por tropas japonesas, em Nanquim, na década de 30. A polícia ainda não prendeu qualquer suspeito. As ameaças contra a família real foram reveladas pela rede Fuji Television Network. Segundo a emissora, os cartões foram colocados em uma agência do correio de Tóquio. O primeiro deles - escrito em computador - foi recebido, na terça-feira, pelo gabinete do ministro da Justiça Mayumi Moriyama. Nos dias seguintes, novos cartões, com o mesmo teor, foram enviados para o gabinete do primeiro-ministro Junichiro Koizumi. Na mensagem, um homem que se identificou como Zhu Hongchun afirmou que teve seus avós assassinados em 1937, pelo Exército Imperial Japonês, no Massacre de Nanquim, na China. A exemplo dos demais cartões, o de Zhu Hongchun afirma que, caso o governo não pague US$ 266 mil como forma de indenização pelas mortes dos chineses, "um membro da família real morrerá". Entre 1937 e 1938, soldados do Império Japonês mataram, segundo a China, 300 mil soldados durante a ocupação daquela cidade. Após o massacre, entretanto, um tribunal japonês contestou a versão chinesa e garantiu que as vítimas fatais entre os chineses não passaram de 140 mil. Tanto Moriyama quanto o comando da polícia em Tóquio evitaram comentar o caso. As investigações, que ainda não conseguiram chegar a qualquer suspeito nem rastrear o endereço dos remetentes dos cartões, ainda são sigilosas. Sabe-se apenas que o suposto grupo terrorista se define como "contrabandista de chineses para o Japão". Anteontem, o governo ordenou que a polícia de segurança reforce seu contingente nos arredores do Palácio Imperial. O atual imperador, Akihito, de 67 anos, tem apenas funções decorativas no governo. Mas muitos japoneses temem que as ameaças possam vitimar a princesa Masako, que está grávida e até dezembro pode dar à luz o sucessor do Trono de Crisântemo.

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