Casa Branca abre inquérito sobre vazamento de nome da CIA

Foi aberto nesta terça-feira um inquérito criminal para apurar um possível responsável na Casa Branca pelo vazamento do nome de uma investigadora da CIA à imprensa. Publicar nomes de agentes da CIA é crime nos Estados Unidos, pois pode pôr em risco a vida do investigador. Toda a equipe da Casa Branca foi avisada por e-mail de que deverá guardar todos os materiais relativos ao caso. O Departamento de Justiça se encarregará do inquérito. O departamento informou que o presidente George W. Bush pediu a todos os funcionários cooperação irrestrita com o inquérito. A oposição Democrata quer uma investigação independente, mas o governo não aceita a hipótese.A história do possível crime cometido por um funcionário da Casa Branca é a seguinte: o então embaixador dos EUA em Níger, Joseph C. Wilson, foi designado em 2002 para confirmar a informação de que o Iraque teria comprado urânio em Níger. Ele relatou que a história era falsa, ou seja, o Iraque não comprou urânio em Níger. Em 14 de julho de 2003, o colunista Robert Novak, do Washington Post, escreve que Valeria Plame é agente da CIA responsável por investigar armas de destruição em massa, mas também diz que ela é mulher de Wilson. No mesmo texto, ele cita ?dois altos funcionários do governo? como fontes da informação de que foi Valeria Plame quem sugeriu o nome do marido para a missão em Níger. Em fins de julho, a CIA acionou o Departamento de Justiça, sugerindo que alguém da Casa Branca vazou o nome à imprensa, como o jornalista Novak havia escrito. No último domingo, um funcionário do governo contou ao Washington Post que dois outros funcionários da Casa Branca vazaram a informação sobre Valeria Plame para desacraditar seu marido, o diplomata Wilson. Hoje, o Departamento de Justiça ordenou a abertura de inquérito. É forte a suspeita de que a Casa Branca tenha mesmo agido para desacreditar Wilson. A razão é que George W. Bush usou a história do urânio de Níger em seu discurso à nação em janeiro deste ano. Somente depois disso é que Joseph C. Wilson veio a público para dizer que a história era falsa, o que forçou a Casa Branca a admitir que não deveria ter incluído a acusação contra o Iraque no discurso do presidente.

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