Hadley Green/The New York Times
Hadley Green/The New York Times

Casa Branca apoia ação contra Harvard e aperta cerco a cotas raciais

Departamento de Justiça dá apoio formal a alunos asiáticos que processaram uma das mais tradicionais universidades americanas, sob alegação de que são discriminados em seleção

O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 20h06

WASHINGTON - O Departamento de Justiça dos EUA apoiou nesta quinta-feira, 30, estudantes asiático-americanos que estão processando a Universidade Harvard em razão da política de cotas que, segundo eles, favorece candidatos negros. Esse é o passo mais recente no esforço do presidente americano, Donald Trump, para minar o sistema de cotas raciais.

Alunos de origem asiática, que foram rejeitados por Harvard, afirmam que a universidade vem sistematicamente discriminando o grupo, limitando de forma artificial o número de asiático-americanos para “promover alunos menos qualificados de outras raças”.

O Departamento de Justiça dos EUA negou o pedido de Harvard para anular o processo antes do julgamento. Segundo o governo, as decisões da Suprema Corte exigem que as universidades considerem a raça como fator importante nas admissões, mas é preciso que elas definam seus critérios – o que não estava claro no caso de Harvard.

O ataque à ação afirmativa tem apoio do presidente Donald Trump. Em julho, os departamentos de Educação e de Justiça disseram que o governo atual estava abandonando as políticas de Barack Obama, que pedia às universidades que considerassem a raça como um fator na diversificação de seu corpo de alunos. 

Autoridades de ambos os departamentos disseram que o governo anterior usou diretrizes para driblar o Congresso e os tribunais e criar políticas de ação afirmativa que vão além da lei existente. A Casa Branca afirma que a nova posição sobre ações afirmativas segue a letra da lei e as opiniões da Justiça.

O caso de Harvard, que foi trazido à tona por um grupo que é contra a ação afirmativa, é considerado um teste importante para determinar se a pressão de líderes conservadores, que querem reverter as cotas, terá sucesso.

A universidade reagiu, dizendo que não discrimina e lutará para defender seu direito de usar a raça como um fator nas admissões. “Harvard não discrimina candidatos de nenhum grupo e continuará a defender o direito de toda faculdade e universidade de considerar a raça como um fator entre vários nas admissões”, disse a instituição, em comunicado. 

Direitos civis

Ativistas dos direitos civis argumentam que essa posição do governo enfraquece décadas de progresso político que criou oportunidades para as minorias. Em informes em apoio a Harvard, apresentados em julho, estudantes e ex-alunos condenaram os esforços do governo americano. 

“O governo de Trump se colocou do lado errado da história, contrastando seu posicionamento de mais de quatro décadas de claros e consistentes precedentes da Suprema Corte”, disse Catherine Lhamon, principal autoridade de direitos civis do Departamento de Educação no governo de Obama.

Um julgamento no caso foi agendado para outubro. Se for para a Suprema Corte, poderá ser analisado pelo juiz Brett Kavanaugh, indicado por Trump para o lugar vago antes ocupado pelo juiz Anthony Kennedy. O caso pode ter implicações de longo alcance para as faculdades e universidades americanas que consideram a raça em seus processos de admissão. / AP e NYT

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