Andrew Harnik/AP
Andrew Harnik/AP

Casa Branca busca identidade de delator que denunciou presidente

Trump compara responsável por denúncia com espião e diz que merecia ‘conhecer acusador’ 

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2019 | 20h08

WASHINGTON - O presidente dos  EUA, Donald Trump, disse nesta segunda-feira, 30, que a Casa Branca estava “tentando descobrir” a identidade do denunciante cujas revelações levaram os democratas a iniciar um processo de impeachment contra ele na semana passada. 

Os advogados do denunciante se disseram preocupados com a segurança de seu cliente. Hoje, Trump voltou a atacar o delator, a quem compara a um espião. O último comentário do presidente, feito aos repórteres no Salão Oval, veio junto com uma série de posts no Twitter no fim de semana. Em uma das mensagens, Trump afirmou que “merecia” conhecer quem o acusava. 

Ainda não está claro quais medidas a Casa Branca estaria tomando para identificar o denunciante, mas o governo já tinha a informação de que um oficial da CIA – a agência de inteligência dos EUA – se mostrou preocupado com as negociações de Trump com a Ucrânia

Mesmo assim, a fixação de Trump em descobrir a identidade do delator, que tem o anonimato protegido por lei, é avaliada como abuso de poder. “A proteção da identidade está prevista em lei para evitar retaliações”, disse Mark Zaid, advogado do denunciante. “Não há exceções para nenhum indivíduo.”

Ainda hoje Trump questionou se o presidente da Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados, o democrata Adam Schiff, deveria ser preso por “traição” após descrever, em audiência no Congresso, o telefonema que o republicano fez para o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski

Domingo, Trump pediu que Schiff, que chefia a investigação do impeachment, seja “questionado ao mais alto nível por fraude e traição”.

Trump acusou Schiff de mentir ao Congresso quando o parlamentar resumiu a conversa que ele teve com Zelenski em 25 de julho. Trump pediu ao ucraniano que “fizesse um favor” a ele e investigasse o ex-vice-presidente Joe Biden, seu principal adversário nas eleições de 2020.

Trump definiu sua parte da conversa como “perfeita”. Segundo o presidente, o resumo feito pelo deputado é diferente da transcrição da ligação divulgada pela Casa Branca.

Durante uma audiência na Câmara dos Deputados, na quinta-feira, Schiff resumiu assim os comentários de Trump a Zelenski: “Fomos muito bons para o seu país, muito bons. Nenhum outro país fez tanto quanto nós, mas você sabe, eu não vejo muita reciprocidade aqui. Eu ouço o que você quer. Mas tenho um favor de você”, descreveu Schiff. Tudo indica que esse resumo foi retirado de várias partes da conversa. No domingo, Trump chamou Schiff no Twitter de “mentiroso”, “Suas mentiras foram feitas da maneira mais flagrante e sinistra já vista na Câmara.” / NYT

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