Michael Reynolds/EFE/EPA
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Casa Branca confirma conflito de interesses em empréstimo à Ucrânia

Chefe de gabinete Mick Mulvaney afirmou que valor de US$ 391 milhões em ajuda militar à Ucrânia ficou congelado em troca de investigações contra democratas no país, mas volta atrás em declaração

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2019 | 15h25
Atualizado 17 de outubro de 2019 | 23h13

WASHINGTON - O chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney, confirmou nesta quinta-feira, 17, que a ajuda militar dos Estados Unidos oferecida à Ucrânia em julho está parcialmente ligada a pedidos da Casa Branca para que o país europeu investigasse o que é chamado de “corrupção” feita pelos democratas na campanha presidencial das eleições de 2016. Mais tarde, ele disse que suas palavras foram distorcidas. 

Foi a primeira vez que um alto funcionário da Casa Branca admitiu publicamente a informação fornecida por funcionários públicos em depoimentos no decorrer do processo de impeachment do presidente Donald Trump.

“Em retrospectiva ao que aconteceu em 2016, certamente foi parte da questão que ele (Trump) estava preocupado com a corrupção naquela nação”, disse Mulvaney à imprensa. “E isso é absolutamente apropriado”.

"Nós fazemos isso o tempo todo com política externa", disse Mulvaney quando questionado sobre o criticismo que os acordos entre os EUA e a Ucrânia teriam como pano de fundo conlito de interesses. 

O chefe de gabinete complementou que o auxílio financeiro inicialmente foi bloqueado porque “todo mundo sabe que é um lugar corrupto (Ucrânia)”, e Trump estava demandando que Zelenski fizesse uma limpeza em seu governo. Mas, o presidente dos EUA também contou a Mulvaney que ele estava preocupado com o que acreditava ser o papel do governo ucraniano na campanha presidencial de 2016 dos democratas.

“Ele também mencionou a mim sobre a corrupção relacionada ao servidor do Comitê Nacional Democrata? Com certeza. Não há questionamentos em relação a isso”, disse. “Mas é isso, e esse é o porque de termos segurado o dinheiro”.

Mulvaney se refere à teoria de Trump, até então não comprovada, de que um servidor que continha os e-mails desaparecidos da então candidata democrata Hillary Clinton estaria instalado em uma empresa com base na Ucrânia.

As afirmações de Mulvaney interrompem as sucessivas negações de Trump de que haveria um conflito de interesses a seu mando para uma investigação que poderia beneficiá-lo politicamente, na corrida presidencial de 2020.

Mas após a polêmica provocada pelas declarações, ele voltou atrás do que disse na coletiva em comunicado e acusou a imprensa de distorcer suas palavras. "Mais uma vez, os veículos de imprensa decidiram interpretar mal meus comentários para promover uma caça às bruxas parcial e política contra o presidente Trump. (...) Deixem-me ser claro: não houve, em absoluto, nenhum 'toma lá dá cá' na assistência militar ucraniana e nenhuma investigação sobre a eleição de 2016", afirmou.

"O presidente nunca me disse para que retivéssemos o dinheiro até que os ucranianos fizessem algo relacionado com o servidor. As únicas razões pelas quais retivemos o dinheiro foram as preocupações com a falta de apoio de outras nações e as inquietações sobre corrupção", continuou o chefe de gabinete da Casa Branca.

No Texas, para onde viajou para participar de um comício, Trump disse que não acompanhou a entrevista coletiva de Mulvaney, mas que ouviu dizer que ele tinha feito um bom trabalho. "Mick é um bom homem. Tenho muita confiança nele", disse.

Trump acusa um dos principais pré-candidatos democratas, Joe Biden, vice-presidente do governo Barack Obama, de atos de corrupção na Ucrânia por intermédio de seu filho, Hunter Biden, na época integrante do conselho de uma empresa de gás natural investigada por corrupção e lavagem de dinheiro, a Burisma.

O auxílio militar americano à Ucrânia somente foi liberado após um telefonema entre Trump e o presidente ucraniano Volodmir Zelenski, em julho, quando Trump reforçou que a Ucrânia deveria investigar casos de corrupção. O montante de US$ 391 milhões é utilizado na batalha contra separatistas apoiados pela Rússia na região da Crimeia, em uma guerra sangrenta iniciada em 2014. / EFE, NYT e W. POST

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