Tom Williams/AFP
Tom Williams/AFP

Casa Branca critica chefe do FBI por testemunho que afastou fraude eleitoral

Christopher Wray disse não ter visto evidências de um 'esforço coordenado de fraude eleitoral nacional', minando o ataque infundado de Donald Trump à votação por correspondência antes de sua disputa em 3 de novembro contra Joe Biden

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2020 | 19h00

WASHINGTON - O diretor do FBI (polícia federal americana), Christopher Wray, enfrentou críticas da Casa Branca pela segunda vez em uma semana, nesta sexta-feira, 25, quando o chefe de gabinete do presidente Donald Trump questionou sua capacidade de detectar fraude eleitoral à medida que as eleições de novembro se aproximam.

Wray disse aos legisladores na quinta-feira que não viu evidências de um "esforço coordenado de fraude eleitoral nacional", minando o ataque infundado do presidente republicano à votação por correspondência antes de sua disputa em 3 de novembro contra o democrata Joe Biden.

Mark Meadows, o chefe de gabinete da Casa Branca, fez comentários tentando denegrir a imagem de Wray durante uma entrevista ao programa da CBS This Morning. "Com todo o respeito ao diretor Wray, ele tem dificuldade em encontrar e-mails em seu próprio FBI, muito menos em descobrir se há algum tipo de fraude eleitoral", disse Meadows, sem entrar em detalhes. O FBI não fez comentários sobre as declarações de Meadows.

Trump nomeou Wray como diretor do FBI depois de demitir James Comey em 2017 durante uma investigação federal sobre os laços entre a campanha presidencial de Trump em 2016 e a Rússia.

Na semana passada, Wray testemunhou perante uma comissão do Congresso que sua maior preocupação na eleição de 2020 era o "tamborilar constante de desinformação" proveniente da interferência russa. Isso levou Trump a replicar: "Não gostei das respostas de ontem".

As declarações de Wray vão contra as posições do presidente republicano. Trump continua a minimizar a ameaça de Moscou e argumenta que a votação pelo correio, da qual muitos Estados estão recorrendo durante a pandemia do coronavírus, representa uma ameaça à segurança eleitoral.

Questionado se Trump confia em Wray, Meadows disse a repórteres na sexta-feira que não falou com o presidente sobre isso. O próprio Trump questionou repetidamente e sem evidências o aumento do uso de cédulas pelo correio, um método estabelecido de votação nos Estados Unidos.

Ele também continua se irritando com a descoberta das agências de inteligência dos EUA de que a Rússia agiu para impulsionar a campanha presidencial de Trump em 2016 e minar sua rival democrata, Hillary Clinton.

A situação extraordinária de um chefe de gabinete da Casa Branca denegrindo a imagem de uma das principais autoridades policiais do país foi o último sinal de como a recusa do presidente em se comprometer em honrar os resultados da eleição presidencial abalou Washington.

Na quinta-feira, proeminentes republicanos reafirmaram seu compromisso com a transferência ordeira de poder, mas se esforçaram para evitar criticar o presidente. Os democratas colocaram Trump como uma ameaça à democracia, que tem procurado minar a confiança na eleição e suprimir a votação. 

E enquanto a Casa Branca tentou enviar sinais tranquilizadores, Trump, que vem perdendo terreno nas pesquisas, continuou a repetir afirmações infundadas de que a votação seria um "grande golpe".

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Chris Edelson, um professor da American University que estudou a expansão do poder presidencial durante emergências, disse que "realmente não há precedentes" para os comentários de Trump.

“É impossível ressaltar o quão absolutamente extraordinária é essa situação”, disse ele. “Esse é um presidente que ameaçou prender seus adversários políticos. Agora ele está sugerindo que não respeitará os resultados de uma eleição. Esses são sinais de alerta graves. ”

Trump disse em um evento de campanha em Atlanta nesta sexta-feira que o vencedor da eleição pode não ser conhecido no dia da eleição. “Eu não sei com esta situação eleitoral”, disse. “Podemos estar em uma disputa por um longo tempo porque é assim que eles querem”, disse Trump. “Mas vamos acabar vencendo.”/REUTERS e NYT 

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