Casa Branca diz que não planeja aproximação de Cuba

A Casa Branca afirmou nesta terça-feira que não tem planos de se aproximar do regime cubano depois que o presidente Fidel Castro transferiu provisoriamente o poder da ilha a seu irmão Raúl.Em sua entrevista coletiva diária, o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse que "o que o presidente (George W. Bush) afirmou desde o primeiro momento é que espera que o povo cubano possa finalmente aproveitar os frutos da liberdade e da democracia"."O fato de o ditador Fidel Castro ter entregado o poder a seu irmão (...) não implica em uma mudança na situação", afirmou Snow, acrescentou que, por causa disso, "não há planos" de uma aproximação entre os dois governos. O que queremos fazer é continuar assegurando ao povo de Cuba que estamos preparados para ajudar" na transição para a democracia na ilha, afirmou o porta-voz.Neste sentido, Snow lembrou o novo relatório da Comissão para a Assistência a uma Cuba Livre, apresentado por Bush no mês passado e que inclui uma série de incentivos econômicos à transição democrática.US$ 80 mi para a "democracia" cubanaTrês semanas antes do anúncio oficial da deterioração da saúde de Castro, uma comissão presidencial dos Estados Unidos pediu, por meio do relatório, um programa de US$ 80 milhões para apoiar grupos não governamentais cubanos com o objetivo de apressar o fim do sistema comunista da ilha. O documento também propunha a "assistência e o preparo de forças militares cubanas". Segundo o relatório de 95 páginas, o governo está "trabalhando ativamente na mudança em Cuba, e não fica simplesmente à sua espera". Quando esse processo acontecer, então, "estaremos dispostos e desejosos de aportar ajuda econômica, humanitária e de outro tipo ao povo cubano", acrescentou Snow.Segundo a Agência Nacional de Informações cubana, o pedido é um "novo plano de agressão" que viola a soberania nacional da ilha.Em suas declarações, o porta-voz disse ainda que a Casa Branca não sabe até o momento "qual é a condição de Fidel Castro". Porém, afirmou que não acredita que, como se conjeturou em alguns círculos da oposição cubana em Miami, o presidente cubano tenha morrido. "Não há nenhuma razão para crer nisso."As declarações de Snow foram feitas depois das efetuadas pelo Departamento de Estado, que expressou seu apoio a uma transição democrática na ilha. O porta-voz do Departamento, Sean McCormack, disse que o governo dos EUA monitora a situação e acha que "o povo cubano aspira e está sedento de democracia", de modo que, "elegeriam um governo democrático".Em declarações paralelas, o secretário de Comércio dos EUA, Carlos Gutiérrez, de origem cubana, afirmou que seu país dará ajuda à recuperação econômica e a "eleições livres e limpas" em Cuba quando houver um governo comprometido com a transição democrática.

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