Lukas Coch / EFE
Lukas Coch / EFE

Casa Branca diz que tem opções para financiar muro e evitar paralisação do governo

Negociações no Congresso sobre verba de  US$ 5 bilhões para o muro que Trump quer na fronteira com o México enfrentam resistência de democratas e pouca disposição dos republicanos

O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2018 | 16h48

WASHINGTON - A Casa Branca identificou fontes de financiamento fora do Congresso americano para ajudar a alcançar os US$ 5 bilhões que o presidente Donald Trump exige para a construção de um muro ao longo da fronteira com o México, afirmou a porta-voz do governo, Sarah Sanders, nesta terça-feira, 18.

“Temos outras maneiras de chegar a esses US$ 5 bilhões”, disse Sanders à Fox News. “No final das contas, não queremos paralisar o governo, queremos paralisar a fronteira.

A discussão sobre o financiamento do muro pedido por Donald Trump se aprofundou na segunda-feira 17 e ameaça com um fechamento parcial do governo, que ocorrerá na sexta-feira à meia-noite caso não haja negociação no Congresso.

Um fechamento parcial põe em risco romper com as operações do governo e deixar centenas de milhares de funcionários federais em licença ou trabalhando sem receber salário durante os feriados de fim de ano. O custo pode ser de bilhões de dólares.

O presidente Trump não tem os votos suficientes do Congresso, formado majoritariamente por republicanos, para aprovar o financiamento do muro. Democratas oferecem continuar o financiamento nos níveis atuais, de US$ 1,3 bilhão, não para o muro, mas sim para cercas e outras medidas de segurança.

Não está claro quantos republicanos da Câmara, a poucas semanas de a Casa passar a ter maioria democrata, aparecerão no meio da semana para votar a medida. Muitos dizem que depende de Trump e dos democratas fecharem um acordo.

Histórico

A paralisação do governo nem sempre foi tão comum em Washington. A Câmara e o Senado costumavam aprovar uma lei anual e o presidente fazia a sanção. Mas nos últimos anos o cenário de fechamento do governo se tornou tão comum que levanta uma questão: eles perderam o seu poder como forma de negociação?

Enquanto isso, mais de 800 mil funcionários do governo estão se preparando para incertezas. A disputa pode afetar 9 dos 15 gabinetes dos departamentos e dezenas de agências, incluindo os departamentos de Segurança Nacional, Transportes, Interior, Agricultura, Estado e Justiça, assim como os parques nacionais e florestas.

Cerca de metade dos trabalhadores pode ser forçada a continuar trabalhando sem pagamento imediato. Outros poderão ir para casa. O Congresso costuma aprovar o pagamento retroativo, mesmo para aqueles que são mandados para casa.

“Nossos colegas estão perguntando como pagarão aluguel, comida e gás se eles são obrigados a trabalhar sem receber”, disse em declaração J. David Cox, presidente da Federação Americana de Funcionários do Governo, o maior sindicato de trabalhadores federais. “A temporada de fim de festa faz deles especialmente mais desoladores.”

Muitas agências, incluindo o Pentágono, já foram financiadas para o período vigente. O Congresso aprovou em torno de 75% das contas discricionárias do governo, que começaram em 1º de outubro. / AP e REUTERS

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