Shannon Stapleton/Reuters
Shannon Stapleton/Reuters

Casa Branca eleva pressão para tese de fraude ser aceita 

Republicanos exigem que autoridades eleitorais locais abracem ideia de irregularidades para evitar a oficialização da vitória de Biden

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2020 | 05h00

WASHINGTON - Aliados de Donald Trump aumentaram a pressão sobre autoridades locais em Estados onde o presidente ainda acredita ter chances de vitória, para que elas aceitem as alegações de fraude na apuração, apesar da falta de evidências. O objetivo é impedir a certificação da vitória de Joe Biden na corrida presidencial.

Em Michigan, advogados republicanos pressionam o conselho eleitoral do Condado de Wayne – onde fica Detroit – para aceitar a tese de que houve irregularidades. Na Pensilvânia, deputados estaduais do Partido Republicano são alvo de uma campanha que exige a indicação de eleitores fiéis a Trump no colégio eleitoral. 

Os esforços em Estados onde Biden venceu ou está liderando a contagem surgem no momento em que Trump tenta reunir evidências de fraude nos tribunais. Os processos que contestam a eleição até agora fracassaram e depoimentos citados como prova não conseguiram sustentar as alegações.

Embora as ações legais da campanha de Trump tenham sido rejeitadas, a procuradora-geral de Michigan, Dana Nessel, disse que está preocupada com a possibilidade de o Partido Republicano usar as alegações para impedir a certificação da vitória de Biden, privando o democrata dos 16 votos que o Estado tem no colégio eleitoral. 

“Faremos o possível em Michigan para garantir que os eleitores do colégio eleitoral reflitam com precisão quem recebeu a maioria dos votos no Estado”, disse.

Os republicanos vêm inundando os tribunais do Estado com ações legais repetidas, que parecem voltadas apenas para ganhar a opinião pública. Durante os argumentos orais, na quarta-feira, David Fink, advogado da cidade de Detroit, garantiu que não houve irregularidades. Ele disse que as ações sobre o mesmo assunto eram como no filme Feitiço do Tempo. “Mas, ao contrário do Dia da Marmota, que era engraçado, isso não tem graça nenhuma”, afirmou.

A certificação em todos os Estados segue um prazo. Após a oficialização do vencedor, o governador escolhe os eleitores que votam no colégio eleitoral – o que deve refletir a preferência popular. Mas, em caso de atraso, a escolha dos eleitores pode ser feita pelas legislaturas estaduais, muitas dominadas por republicanos. Se não houver certificação, Biden corre risco de perder os votos de um Estado que venceu ou, na pior das hipóteses, ver os republicanos ignorarem a vontade popular e escolherem eleitores fiéis a Trump.

A manobra, porém, ainda sofre resistência de autoridades locais. Jake Corman, líder dos republicanos no Senado da Pensilvânia, disse que o Legislativo estadual não pode indicar eleitores. “Por lei, isso cabe ao governador, que escolhe segundo a vontade popular”, afirmou. / W. Post

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