Casa Branca enfrenta teste diplomático com caso de Chen

Análise: Steven Lee Myers / NYT

O Estado de S.Paulo

03 Maio 2012 | 03h01

Em sua primeira viagem à China, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que o respeito aos direitos humanos não deveria interferir com outras questões globais urgentes nas quais EUA e China poderiam chegar a um consenso. Essa declaração refletiu o frio cálculo que continua a moldar a política externa do presidente Obama em se tratando de defender direitos e liberdades no exterior.

Os funcionários do governo defendem que uma diplomacia silenciosa, envolvendo eventuais concessões, pode ser mais eficaz que a retumbante condenação pública, por mais que não proporcione a mesma satisfação moral.

No caso do dissidente Chen Ghangcheng, os funcionários do governo recusaram-se inicialmente até a reconhecer a existência do caso e o fato de ele estar sob a custódia de diplomatas americanos. Isso deu nova força às críticas segundo as quais a Casa Branca dá menos importância ao respeito aos direitos humanos em se tratando da China.

De alguma maneira, todos os presidentes defenderam o respeito aos direitos humanos em todo o mundo. Ronald Reagan promoveu a liberdade política atrás da Cortina de Ferro, mas o fez com ímpeto muito menor na América Latina. Nenhum líder americano cobrou de fato da Arábia Saudita o respeito aos direitos humanos,

Usar os direitos humanos como pilar da política externa expõe inevitavelmente o grande abismo que separa os elevados ideais dos valores americanos e o teimoso pragmatismo capaz de fazer avançar os seus interesses comerciais e militares.

Apesar do seu começo difícil na China, Hillary recebeu elogios por declarar que o respeito pelos direitos básicos é essencial para que todo país possa se desenvolver e prosperar porque estes direitos exigem a existência do estado de direito e de uma sociedade civil. Em fevereiro de 2011, ela fez uma violenta crítica aos abusos cometidos por Pequim.

Em outra ocasião, ela afirmou que "devemos ser pragmáticos e ágeis" ao tratar com a China no que se refere aos direitos humanos. "Em todos os casos", afirmou, "nosso objetivo será fazer a diferença, e não provar um ponto de vista".

O desfecho do caso Chen, seja durante a visita atual de Hillary ou num momento posterior, vai agora testar esta estratégia. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL E ANNA CAPOVILLA

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