Efe
Efe

Casa Branca identifica agente da CIA por engano para jornalistas

Nome do funcionário estava em uma relação de 15 pessoas que participaram de um briefing com Obama

CLÁUDIA TREVISAN - CORRESPONDENTE,

26 Maio 2014 | 14h38

 WASHINGTON  - A Casa Branca identificou de maneira inadvertida o chefe da CIA no Afeganistão, em um email enviado aos repórteres credenciados para cobrir as atividades do presidente Barack Obama. A mensagem foi repassada a cerca de 6.000 jornalistas americanos e estrangeiros cadastrados para receber informações da Casa Branca.

O nome do representante da CIA estava em uma relação de 15 pessoas que participaram de um briefing com Obama durante a visita surpresa que ele fez ao Afeganistão no domingo. O oficial era identificado como chief of station, a expressão usada pela agência para identificar os responsáveis por suas operações em cada país.

A Casa Branca foi alertada da inclusão do chefe local da CIA na relação pelo diretor da redação do Washington Post na capital, Scott Wilson, que acompanhou a viagem de Obama com outros jornalistas. Outra lista das pessoas que participaram do briefing com o presidente foi divulgada em seguida, sem o nome do agente da CIA. A pedido da Casa Branca, o Washington Post não revelou sua identidade, posição que o Estado também decidiu adotar.

O governo sustenta que a divulgação de seu nome pode comprometer sua segurança e a de sua família, transformando-os em alvo para eventuais ataques do Taleban ou da Al-Qaeda. Oficialmente, ele atua no Afeganistão como diplomata.

A identidade dos agentes da CIA é tratada como um segredo de Estado e sua revelação intencional e não autorizada pode ser punida criminalmente. Quase nunca ela vem à tona por ação do próprio governo. O único caso recente foi o de Valerie Plame, cuja ligação com a CIA foi revelada em 2003, em um escândalo que envolveu assessores do então presidente George W. Bush.

Auxiliares do dirigente republicano decidiram expor Plame para atingir seu marido, o ex-embaixador Joseph Wilson, que era um crítico contundente da Guerra do Iraque.

O caso colocou fim à carreira de Plame no serviço de inteligência e levou à abertura de uma investigação criminal. Em 2007, Lewis "Scooter" Libby, chefe de gabinete do então vice-presidente Dick Cheney, foi condenado a 30 meses de prisão e multa de US$ 250 mil por ter mentido durante a apuração do vazamento da identidade de Plame.

Não está claro se a revelação do chefe da CIA no Afeganistão forçará sua retirada do país. Em 2010, o chefe da organização no Paquistão foi substituído de maneira abrupta quando funcionários do governo local informaram os EUA que sua real identidade havia sido revelada.

Obama passou menos de quatro horas no Afeganistão no domingo, onde discursou a cerca de 3.000 soldados na véspera do feriado que homenageia os combatentes mortos em guerras. O presidente também recebeu informações sobre a situação do país e as perspectivas para permanência de tropas americanas no local depois de dezembro de 2014, quando as ações americanas de combate chegarão ao fim. O chefe da CIA no país era um dos 15 participantes desse encontro.

Mais conteúdo sobre:
EUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.