Brendan Smialowski/AFP
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Casa Branca muda orientação e passa a encorajar uso de máscara nos comícios de Trump

Mudança ocorre após críticas a eventos que não pediram o uso do item; republicano volta a usar o termo 'vírus chinês' e defende sua estratégia para a pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2020 | 17h28

WASHINGTON - A campanha de reeleição de Donald Trump tomou a decisão de "encorajar fortemente" o uso de máscaras no próximo comício do presidente republicano como medida de precaução, informou o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, nesta segunda-feira, 6. A campanha planeja um comício ao ar livre no próximo sábado em Portsmouth, New Hampshire. 

"Obviamente, estamos ansiosos para estar no 'Estado do Granito' e voltar a ver o pessoal de New Hampshire, e, ao analisarmos isso, (a máscara) é mais um fator de precaução", disse Meadows em entrevista à Fox News.

Ao anunciar o ato de campanha do sábado em Portsmouth, a equipe de Trump informou: "Haverá amplo acesso a  desinfetante para as mãos e todos os participantes receberão uma máscara facial que eles são fortemente encorajados a usar".

A mudança de orientação ocorre depois que a manifestação de Trump em Tulsa, Oklahoma, em um local fechado no mês passado, chamou a atenção de todos e foi criticada por não impor restrições pelo coronavírus, incluindo distanciamento social e máscaras.

O item foi entregue em Tulsa, mas não especificamente incentivado. Trump se recusou a usar uma máscara em público ou recomendar que outras pessoas o façam, em contraste com as mensagens de especialistas em saúde dos EUA e da força-tarefa de coronavírus da Casa Branca.

Pelo menos oito membros da equipe da campanha que estiveram em Tulsa para o comício de 20 de junho testaram positivo para o vírus.

Além disso, Kimberly Guilfoyle, oficial sênior da campanha e namorada de Donald Trump Jr., testou positivo e o ex-candidato presidencial republicano Herman Cain disse na semana passada que havia contraído o vírus. Ambos participaram do comício de Tulsa.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, acrescentou à Fox: "A campanha foi muito clara: não apenas vamos dar máscaras, mas também recomendamos o uso dessas máscaras. É muito importante seguir as diretrizes do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças)".

Na sexta-feira, o evento de Trump para celebrar o 4 de julho no Monte Rushmore, em Dakota do Sul, atraiu 7,5 mil pessoas em um anfiteatro ao ar livre. O uso de máscaras não era obrigatório e muitas pessoas não as usavam.

Trump volta criticar a China e defender estratégia

Nesta segunda-feira, Trump voltou a defender a estratégia de seu governo para a pandemia em andamento. Em um post no Twitter, ele voltou a usar a expressão "vírus da China" ao dizer que as mortes já recuaram 39% nos EUA e o programa de testes americano é o maior do mundo.

Trump reclamou do fato de, segundo ele, a imprensa local não reportar esses fatos corretamente. "A taxa de mortalidade para o vírus da China nos EUA está simplesmente por volta da menor do mundo!", afirmou, referindo-se ao novo coronavírus com uma expressão que Pequim condena e é considerada racista por alguns. Além disso, Trump disse que a economia americana "está voltando forte".

O líder americano ainda citou um estudo da companhia Henry Ford Health System segundo o qual o tratamento com a hidroxicloroquina reduziu a taxa de mortalidade de modo significativo em pacientes internados com a covid-19 e sem problemas no coração. 

Estudos no Reino Unido e os monitorados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) concluíram anteriormente que o medicamento não trazia vantagem no combate a essa doença e ainda pode oferecer riscos para aqueles com problemas no coração. Em 15 de junho, a agência de controle de drogas dos EUA (FDA, na sigla em inglês) revogou a autorização para uso emergencial da cloroquina e da hidroxicloroquina em solo americano.

Em sua série de mensagens, Trump ainda afirmou que as escolas nos EUA "precisam abrir até o outono" (no norte), que começa em 21 de setembro. Além disso, voltou a criticar a oposição democrata, dizendo que ela não teria banido as viagens com a China e isso teria provocado muito mais mortes nos EUA. / COM REUTERS 

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