Pablo Martinez Monsivais/AP
Pablo Martinez Monsivais/AP

Casa Branca nega cooperar em investigação em torno do processo de impeachment de Trump

Em carta enviada à Câmara dos Deputados, governo americano diz que investigação 'carece de base constitucional e 'de qualquer pretensão de imparcialidade'

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2019 | 04h23
Atualizado 09 de outubro de 2019 | 10h47

WASHINGTON - A Casa Branca afirmou na terça-feira, 8, que não cooperará com a investigação em torno do processo de impeachment promovido pelos democratas na Câmara dos Deputados, aumentando o confronto com o Congresso. 

O Executivo "não vai participar deste exercício de teatro político partidarista", diz uma carta enviada à Câmara, controlada pelos democratas. De acordo com o documento, a denúncia contra o presidente Donald Trump, envolvendo uma possível troca de favores com o governo ucraniano, é um processo de cunho político e inconstitucional.

"Esta investigação carece de base constitucional, de qualquer pretensão de imparcialidade e, inclusive, do respeito mais elementar ao devido processo", destaca a carta. 

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Trump é acusado de tentar obter ajuda da Ucrânia para conseguir informações comprometedoras sobre o ex-vice-presidente democrata Joe Biden, principal pré-candidato democrata às eleições de 2020.

A Casa Branca destacou ainda o fato de que a Câmara não programou uma votação formal sobre o processo de impeachment. 

Bloqueio de depoimento do embaixador

Ainda na terça, em meio à queda de braço entre Trump e os democratas, o governo bloqueou o depoimento do embaixador dos Estados Unidos junto à União Europeia, Gordon Sondland.

"Gostaria de mandar o embaixador Sondland, um homem realmente bom e um grande americano, para que dê seu testemunho, mas, infelizmente, estaria testemunhando diante de um circo armado totalmente parcial", disse Trump em sua conta no Twitter.

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A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, qualificou a decisão do governo como ilegal e disse que é mais uma tentativa "de esconder os fatos e os esforços descarados da administração Trump para pressionar governos estrangeiros a interferir nas eleições de 2020".

O presidente do Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados, Adam Schiff, um dos democratas à frente da investigação, disse à imprensa que "o fato de não apresentar esta testemunha" traz "provas ainda mais contundentes de obstrução das funções constitucionais do Congresso".

Quem é Gordon Sondland?

Rico empresário do setor hoteleiro e importante doador da campanha de Trump, Sondland está envolvido em uma série de mensagens de texto entregues ao Congresso na semana passada pelo ex-enviado especial dos EUA para a Ucrânia Kurt Volker.

As conversas entre ambos, Volker e Sondland, o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, e um assistente da Presidência ucraniana expuseram os esforços do governo Trump para pressionar Kiev a investigar Joe Biden e seu filho Hunter por suspeita de corrupção ligada à Ucrânia.

Nas mensagens, discute-se uma eventual reunião na Casa Branca entre Trump e o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, em troca de investigar possíveis irregularidades dos Biden.

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"Sabemos que o embaixador Sondland foi um ator-chave no esforço para obter o compromisso da Ucrânia de investigar uma teoria conspiratória falaciosa em relação às eleições (presidenciais) de 2016, assim como a Joe Biden e seu filho", declarou Schiff.

Contraofensiva republicana

Os republicanos que apoiaram na semana passada o pedido de Trump para que Ucrânia e China investiguem os Biden sob o pretexto de combater a corrupção, deflagraram uma contraofensiva no Senado, onde são a maioria. 

O senador Lindsey Graham, um grande aliado de Trump, anunciou sua intenção de convidar Giuliani para testemunhar sobre os supostos casos de "corrupção" envolvendo os Biden e uma empresa de gás ucraniana. "Estou cansado de escutar apenas um lado desta história", disse ele no Twitter. / AP e AFP

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