REUTERS/Brian Snyder
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Casa Branca ordena que governo dos EUA prepare orçamento como se Trump tivesse ganhado, diz jornal

Segundo o Washington Post, diretiva é mais um exemplo que o presidente americano age como se tivesse sido reeleito. Biden foi apontado como vencedor no sábado, 7

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 11h30

A Casa Branca instruiu as agências federais americanas a continuar preparando a proposta de orçamento para o próximo ano fiscal, segundo o jornal The Washington Post, o que mostra que o governo Trump segue se recusando a reconhecer a derrota nas eleições para o democrata Joe Biden.

O ano fiscal americano começa no quarto trimestre de 2021 e avança para 2022, e a proposta de orçamento precisa ser enviada ao Congresso até fevereiro.

Como o próximo mandato começa em 20 de janeiro, o futuro governo tem tempo hábil para preparar o documento e enviá-lo ao Congresso. Mas a atual administração segue agindo como se o republicano Donald Trump sido reeleita.

Impasse na transição

Desde que Joe Biden foi projetado vitorioso, no sábado, 7, o vencedor da disputa nos Estados Unidos, a agência que poderia acelerar a transição de governo nos EUA se recusa a iniciar processo.

Nesta quinta-feira, 12, a rede de televisão CNN revelou que o Departamento de Estado americano (o equivalente ao Itamaraty) está impedindo que o presidente eleito tenha acesso a várias mensagens de líderes mundiais enviadas a Biden.

Na terça-feira, 10, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que estava pronto para "iniciar a transição para um segundo mandato de Trump". Apesar da declaração do chefe da diplomacia americana, Biden já recebeu telefonemas e mensagens de diversas lideranças mundiais, exceto dos presidentes Bolsonaro (Brasil), Vladimir Putin (Rússia) e Xi Jinping (China).

'Fingindo que nada aconteceu'

A pessoa falou sob condição de anonimato para descrever o planejamento interno. A decisão da administração federal de prosseguir com o orçamento de Trump para o ano fiscal de 2022 irritou e surpreendeu vários funcionários de carreira, segundo o Washington Post.

"Eles estão fingindo que nada aconteceu", afirmou ao jornal, sob condição de anonimato, um funcionário do escritório de orçamento da Casa Branca. "Todos nós devemos fingir que isso é normal e fazer todo esse trabalho, mesmo sabendo que vamos ter que jogá-lo fora".

Questionado pelo "Washington Post" se o planejamento do orçamento fiscal de 2022 estava ocorrendo conforme planejado, um porta-voz do departamento da Casa Branca disse: "Claro."

Biden ignora resistência

Apesar da resistência do governo Trump em aceitar a derrota, Biden afirmou na terça-feira, 10, que "já começamos a transição." O presidente eleito dos EUA minimizou a resistência do Partido Republicano em iniciar o processo e disse que isso "não causa muitas consequências."

"O fato de que eles não querem reconhecer nossa vitória neste ponto não é algo que traga muita consequência ao nosso planejamento", disse Biden.

Na segunda-feira, 9, a equipe de transição anunciou o conselho consultivo para medidas de combate à pandemia. Entre os membros está a brasileira Luciana Borio, pesquisadora sênior de saúde global do Conselho de Relações Exteriores dos EUA.

Na campanha, Biden prometeu uma estratégia completamente diferente da adotada por Trump contra a covid. Essa era uma das principais promessas do democrata.

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