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Casa Branca pede que Maduro ouça críticas ao governo ante ‘terrível’ situação da população

Porta-voz do governo de Barack Obama diz que EUA estão preocupados com condição de vida dos venezuelanos e descreveu como ‘impressionantes’ as últimas informações sobre o país

O Estado de S. Paulo

17 Maio 2016 | 09h02

CARACAS - A Casa Branca expressou na segunda-feira sua preocupação pelas "terríveis" condições de vida dos venezuelanos, e pediu ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que ouça as críticas ao país, sob pena de agravamento da crise.

Enquanto a Venezuela entra em uma nova etapa de tensões, o porta-voz do governo de Barack Obama, Josh Earnest, descreveu como "impressionantes" as últimas informações sobre o país sul-americano. "As condições da população venezuelana são terríveis", disse Earnest durante uma coletiva de imprensa.

Maduro se prepara para divulgar o alcance de um novo decreto de emergência econômica e a declaração de estado de exceção, ao tempo que a oposição segue resoluta em protestar nas ruas pedindo que um referendo revogatório contra ele seja realizado ainda neste ano.

Washington solicitou a Maduro escutar as vozes críticas dentro da Venezuela para solucionar os problemas do país, imerso em uma profunda crise econômica, escassez de alimentos e remédios, cortes diários de água e apagões frequentes.

"A solução para esses desafios irá requerer a inclusão de todas as partes interessadas e agora é o momento de os líderes escutarem as vozes venezuelanas e trabalharem juntos pacificamente para encontrar realmente soluções", assinalou Earnest. "A incapacidade de fazê-lo só coloca centenas de milhares, se não milhões, de venezuelanos em risco de maiores sofrimentos", acrescentou.

Em meio ao descontentamento popular - 68% dos venezuelanos reprova o governo Maduro, segundo a empresa Venebarómetro -, o mandatário, filho político do falecido presidente Hugo Chávez, deu amostras de radicalismo nos últimos dias. No sábado, ele ordenou a realização de exercícios militares, diante de uma suposta "ameaça externa" vinda dos EUA.

A oposição afirma que recolheu 1,8 milhões de assinaturas para pedir a ativação de um referendo revogatório contra Maduro, quando o requisito é de em torno de 200 mil.

Sete em cada dez venezuelanos querem uma mudança de governo, enquanto 97% considera que "sua vida piorou", segundo pesquisas recentes.

Os dirigentes da oposição e o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, reiteram que o referendo revogatório deve ser realizado ainda este ano. Mas as altas figuras do governo venezuelano têm rejeitado inclusive que a consulta seja realizada inteiramente.

Se um referendo revogatório acontecer depois do dia 10 de janeiro de 2017 - quando se completam quatro anos de período presidencial - e Maduro perder, o vice-presidente designado pelo chefe de Estado assume o governo. /AFP

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