Casa Branca pede US$ 80 mi para acelerar democracia em Cuba

Um comissão presidencial dos Estados Unidos pediu nesta segunda-feira a aprovação de um pacote de US$ 80 milhões para ajudar organizações não governamentais a acelerarem a redemocratização em Cuba. Contudo, alguns cubanos dissidentes temem que o dinheiro possa ser usado como um pretexto para que o regime de Castro aumente sua repressão.As recomendações da Comissão de Assistência Presidencial para Libertação de Cuba acontecem enquanto o governo de Fidel Castro está se movimentando para intensificar sua liderança e assegurar a manutenção do regime.A secretária de Estado Condoleezza Rice disse que as recomendações "refletem o compromisso dos EUA em apoiar os bravos líderes oposicionistas; homens e mulheres que falam em nome dos cubanos forçados ao silêncio". "Estamos aumentando nossa determinação de quebrar o bloqueio de informação do regime (cubano) e estamos oferecendo apoio para os esforços dos cubanos na preparação para o dia em que poderão recuperar sua soberania e escolher um governo por meio de eleições livres multi partidárias", disse a secretária. O presidente dos EUA, George W.Bush, instalou em 2003 a Comissão de Assistência para a Liberdade de Cuba. Entre as recomendações definidas desde então está a imposição de restrições para viagens à ilha. A Casa Branca tem como objetivo minar a planejada sucessão do poder de Fidel Castro, que completa 80 anos em agosto, para seu irmão de 75 anos, o ministro da Defesa Raul Castro. Autoridades cubanas, por sua vez, têm reiterado que a política comunista do país e seu sistema econômico não vão acabar depois que Fidel Castro deixar o poder.Os US$ 80 milhões seriam gastos em dois anos, e são compostos de US$31 milhões para apoiar a sociedade civil independente na ilha, US$10 milhões para bolsas de estudos nos Estados Unidos e outros países, US$24 milhões para "interromper o bloqueio de informações do regime de Castro" e expandir o acesso à informação independente, incluindo através da Internet e US$15 milhões para apoiar esforços internacionais para fortalecer a sociedade civil no plano de transição.Repressão Contudo, alguns dissidentes temem que o governo cubano possa usar o dinheiro como um pretexto para ameaçar ou mesmo prender líderes oposicionistas na ilha. Comunistas acusaram 75 oposicionistas em 2003 de estar nas listas de pagamento dos Estados Unidos, acusação negada pelos dissidentes e Washington."Realmente reconheço a solidariedade do governo dos Estados Unidos e do povo americano, mas acho que este pacote é contraproducente", Dise o jornalista dissidente Oscar Espinosa Chepe. "Ele ajuda o setor linha-dura do governo a justificar sua repressão".A Agência Nacional de Informação de Cuba definiu a medida como um "novo plano de agressão", que viola a soberania nacional da ilha.Membros do governo de Castro definiram na semana passada o rascunho da medida como uma planta para a mudança do regime, e sugeriram que o documento tem uma seção confidencial que inclui planos de violência contra a ilha.Cuba está sob embargo financeiro imposto pelos Estados Unidos desde 1961, dois anos depois que Castro assumiu o poder depois do golpe contra o presidente Fulgêncio Batista.

Agencia Estado,

10 de julho de 2006 | 19h19

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