Tyra WATSON / US NAVY / AFP
Tyra WATSON / US NAVY / AFP

Casa Branca pediu para navio USS McCain ficar 'fora da vista' de Trump, dizem jornais

De acordo com 'Wall Street Journal' e 'New York Times', e-mail enviado sem o conhecimento do presidente pedia que a marinha mudasse o destróier de posição durante a recente visita do republicano à base de Yokosuka, no Japão

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 09h49

WASHINGTON - A Casa Branca solicitou que um destróier batizado com o nome do falecido senador John McCain, rival de Donald Trump, permanecesse "fora da vista" do presidente durante sua recente visita ao Japão.

"O 'USS John McCain' precisa ficar fora da vista", afirmou o e-mail de um comandante militar americano, ao qual o jornal Wall Street Journal (WSJ) teve acesso, antes da viagem presidencial.

Em reparos na base americana de Yokosuka, onde Trump fez um discurso na terça-feira a bordo de outra embarcação, o navio em questão estava em uma posição difícil de deslocar.

O nome foi então escondido por uma lona e os marinheiros liberados por um dia, informa o WSJ. A lona foi retirada por uma razão desconhecida e uma embarcação foi deslocada para bloquear a visão do navio.

"Todos os navios conservaram sua posição habitual durante a visita do presidente", afirmou um porta-voz da 7ª Frota, antes de indicar que as fotografias que mostram a lona foram feitas antes da chegada de Donald Trump. 

Um membro da marinha americana em Yokosuka afirmou ao The New York Times que todos os navios enviaram de 60 a 70 marinheiros ao discurso de Trump, com exceção do USS John McCain. Além disso, quando membros da tripulação deste navio, trajando uniformes com a insignia que o identificavam, teriam sido barrados ao tentar participar da cerimônia.

No Twitter, o Chefe de Informação da Marinha, o contra-almirante Charlie Brown, negou que o nome do destroier tenha sido escondido durante a visita do presidente americano ao Japão. "A Marinha tem orgulho deste navio, de sua tripulação, de seu homenageado e de sua herança", diz a mensagem publicada por Brown na noite de quarta.

Também ao NYT, conselheiros da Casa Branca afirmaram de forma anônima que o pedido foi feito por assessores do presidente americano, mas que Trump não tinha conhecimento sobre o assunto. Um outro funcionário do governo disse que a Casa Branca enviou o e-mail com a requisição para a marinha no dia 15 de maio.

No Twitter, o presidente americano negou ter qualquer envolvimento com o caso. "Não fui informado de nada que tenha a ver com o navio da Marinha 'USS John S McCain' durante minha recente visita ao Japão", reagiu Trump. 

Rivalidade

Donald Trump e John McCain nunca esconderam o desprezo mútuo. O milionário, isento do serviço militar, ironizou em 2015 o status de herói da guerra do Vietnã do falecido senador, que foi prisioneiro e torturado durante cinco anos.

Figura respeitada da política americana, McCain retirou seu apoio à candidatura de Trump na eleição presidencial de 2016.

McCain faleceu, vítima de câncer cerebral, em 25 de agosto de 2018 aos 81 anos. Ele fez questão de anunciar que não desejava a presença de Trump em seu funeral. / AFP e NYT

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