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Casa Branca pode perdoar Manning, mas não Snowden

Fonte dos vazamentos de documentos sigilosos ao WikiLeaks, soldado disse ao 'New York Times' que espera poder começar uma nova vida aos 29 anos

O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2017 | 00h03

WASHINGTON - A Casa Branca reconheceu nesta sexta-feira, 13, o arrependimento demonstrado pela ex-soldado transexual Chelsea Manning, fonte de vazamentos ao portal Wikileaks, e não descartou a possibilidade de que ela possa ser perdoada. No entanto, ressaltou a gravidade das ações de Edward Snowden, que desmascarou programas de espionagem em 2013.

O canal NBC divulgou nesta semana que Manning, condenada a 35 anos em um tribunal militar por repassar milhares de documentos confidenciais em 2010, estava sendo seriamente considerada para um último perdão presidencial de Barack Obama, antes que o líder deixe o cargo.

Em entrevista coletiva, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse nesta sexta-feira que "há uma grande diferença entre Chelsea Manning e Edward Snowden", já que a primeira "foi sentenciada e reconheceu a gravidade de seus atos".

"Pelo contrário, Snowden fugiu e se refugiou em um país (Rússia) que tentou minar a confiança em nossa democracia", declarou.

Earnest admitiu que os vazamentos de Manning, que incluíam dados diplomáticos e relatórios das guerras no Iraque e no Afeganistão, foram "danosos para a segurança nacional", mas que os de "Edward Snowden foram muito mais graves e muito mais perigosos".

Snowden, ex-prestador de serviços para a Agência de Segurança Nacional (NSA), revelou programas de espionagem secretos que permitiam registrar dados de ligações e outras comunicações de americanos sem permissão expressa de uma ordem judicial, algo que transgride a Constituição, além de espionar aliados estrangeiros.

Earnest não quis antecipar se Obama concederá o perdão a Manning, que o solicitou em 2013, pouco após ingressar em uma prisão militar do Estado do Kansas, onde tentou se suicidar duas vezes.

Manning, que também iniciou no presídio um tratamento de mudança de sexo de homem para mulher, disse em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal The New York Times que espera poder começar uma nova vida aos 29 anos após os vazamentos do Wikileaks e sua detenção em 2010.

"Não peço o perdão da minha condenação. Entendo que as consequências colaterais da minha condenação militar serão mantidas em meu histórico para sempre. O que peço é a primeira oportunidade para viver a minha vida fora da USDB (a prisão militar) como a pessoa que quero ser", disse na entrevista.

Na terça-feira passada, Snowden, exilado na Rússia, pediu a Obama pelo Twitter que se só puder realizar um ato de clemência antes da posse de seu sucessor, o republicano Donald Trump, que liberte Manning porque "só você (Obama) pode salvar a vida dela". 

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, anunciou que aceitará ser extraditado para os Estados Unidos se o presidente Obama conceder a Manning. / EFE e AFP 

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