Casa Branca precisa recuperar sua autoridade

Análise

O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2013 | 02h01

Hoje, o grande desafio para o presidente americano, Barack Obama, é reconquistar o terreno perdido nos últimos anos na determinação de uma estratégia de segurança nacional para o país. Histórica e politicamente, no sistema de separação de poderes dos EUA, o presidente tem a maior liberdade para agir no tocante a assuntos externos.

Ele é o responsável pela segurança dos americanos num mundo cada vez mais turbulento - aquele que, em última instância, definirá os objetivos que os EUA devem alcançar por meio da diplomacia, influência econômica e, se necessário, a força militar.

O mundo vê o presidente como a autêntica voz da América. Certamente, o Congresso tem voz. Como também a sociedade. E ainda os grupos de interesses e os lobbies de política externa. O papel dos congressistas na declaração de guerra é especialmente importante quando o país planeja iniciar uma guerra. Como os EUA são uma democracia, o apoio da população às decisões do presidente no campo da política externa é fundamental. No entanto, ninguém tem a mesma autoridade do presidente.

Isso é verdade mesmo diante de uma oposição resoluta. Mesmo quando alguns grupos de pressão conseguem o apoio do Congresso para seus clientes estrangeiros particulares, desafiando o presidente. Por exemplo, muitos congressistas manifestaram sua disposição em apoiar o presidente se ele permanecer firme na defesa do "interesse nacional".

Aliados. Um presidente disposto a fazer isso publicamente e, ao mesmo tempo, cultivar amigos e aliados no Capitólio, pode estabelecer uma credibilidade tão avassaladora que politicamente seria insano confrontá-lo. É exatamente o que Obama precisa fazer agora.

Ele precisa refletir sobre sua estratégia de governo no segundo mandato. Que legado pretende deixar? Nesse aspecto, o que não fazer é tão importante quanto o que fazer. Um presidente que aspira ser reconhecido como líder global não deveria estabelecer metas de política externa, comprometer-se com elas eloquentemente e depois ceder o terreno quando enfrenta uma rigorosa oposição.

Seja negociando com o belicoso Vladimir Putin, da Rússia, com uma China cada vez mais autoconfiante, com os evasivos iranianos ou mesmo lidando com o chamado "processo de paz" entre israelenses e palestinos. O sucesso de Obama dependerá da visão que a sociedade terá dele como um presidente comprometido com suas metas e tremendamente sério. Comprometimento e credibilidade caminham lado a lado.

Por exemplo, na questão árabe-israelense, o fato negativo é que, no caso dos três últimos presidentes, a política americana foi muito franca, mas pouco corajosa, ou simplesmente hipócrita. A recente votação nas Nações Unidas, que garantiu o status de Estado observador para a Palestina, mostrou que o respeito global pelos EUA está baixo para que o país possa lidar com uma questão que hoje é moralmente preocupante e, no longo prazo, será explosiva - apesar do esforço, Washington conseguiu apenas oito votos contra a moção palestina de um total de 188 países.

O caso reforça as consequências para os EUA de um bipartidarismo em declínio no campo das relações externas e a crescente influência dos lobbies, sublinhando assim a necessidade de uma liderança presidencial mais assertiva.

Oportunidades. Um presidente tem dois momentos de grande oportunidade. O primeiro é durante o seu primeiro ano de governo porque, no quarto ano, qualquer sucesso alcançado apagará os custos políticos incorridos anteriormente.

Se reeleito, a segunda oportunidade surge no primeiro ano do segundo mandato. No entanto, desta vez, será a história, e não a população, que será seu derradeiro juiz. Obama demonstrou um domínio intelectual incisivo dos novos desafios enfrentados pelos EUA no cenário mundial.

Agora, contudo, ele necessita ser um líder. Talvez o presidente não tenha, no futuro, uma oportunidade melhor do que esta para determinar o que os historiadores escreverão sobre o seu legado. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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