REUTERS/Francois Lenoir
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Casa Branca proíbe diplomata de testemunhar em investigação de impeachment

Governo Trump ordenou que Gordon Sondland, embaixador na União Europeia, não participasse de encontro com três comissões da Câmara dos Deputados que investigam possíveis irregularidades do presidente que podem levar ao impeachment

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2019 | 11h38
Atualizado 08 de outubro de 2019 | 17h16

WASHINGTON - O governo Donald Trump ordenou que Gordon Sondland, embaixador dos Estados Unidos na União Europeia (UE), não comparecesse a um depoimento marcado na Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 8.

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Sondland, que doou US$ 1 milhão para o comitê que organizou a posse de Trump, deveria se reunir a portas fechadas na manhã desta terça com funcionários de três comissões da Câmara como parte da investigação de impeachment contra o presidente.

"No início desta manhã, o Departamento de Estado americano ordenou que o embaixador Gordon Sondland não comparecesse para seu depoimento agendado na Comissão Conjunta da Câmara dos Deputados", disse o advogado do diplomata, Robert Luskin.

O advogado destacou que seu cliente está "pronto para testemunhar, desde que seja permitido" e está "profundamente desapontado por ser impedido de fazê-lo". "(Sondland) realmente acredita que agiu, a todo momento, de acordo com os melhores interesses dos EUA."

O chefe da Comissão de Inteligência da Câmara, Adam Schiff, afirmou que a iniciativa da Casa Branca para bloquear o depoimento de Sondland "é mais uma evidência da obstrução" ao Congresso. Schiff e outros deputados democratas disseram que considerarão esse episódio obstrução e devem emitir uma intimação para que o diplomata deponha. 

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Sondland seria ouvido como parte dos procedimentos da Câmara sobre a possível pressão de Trump sobre o líder ucraniano, Volodmir Zelenski, a investigar seus rivais políticos. 

Embora a Ucrânia não esteja na UE, Trump teria instruído o embaixador - um rico empresário do ramo hoteleiro e colaborador de sua campanha - a liderar as relações entre o governo Trump e Kiev. Os democratas o consideram uma testemunha-chave do que aconteceu entre os dois países.

Sondland interagiu diretamente com Trump, falando várias vezes com o presidente em momentos importantes que os democratas estão investigando, incluindo antes e depois da ligação de Trump em julho para Zelenski

Neste contato, o presidente americano pediu que Zelenski lhe fizesse "um favor" e investigasse os negócios do filho do ex-vice-presidente Joe Biden e uma teoria da conspiração sobre a intromissão da Ucrânia nas eleições de 2016.

Mensagens de texto entregues ao Congresso na semana passada mostram que Sondland e outro diplomata haviam trabalhado em uma declaração que eles queriam que o presidente ucraniano divulgasse em agosto se comprometendo com as investigações solicitadas por Trump sobre seus rivais políticos. Os diplomatas também consultaram o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, sobre a declaração. / NYT, EFE e AFP

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